23/07/2008...10:34
Tradição e Liberdade
A tradição só existe na consciência humana. Somente a consciência humana possui a liberdade de escolher, o que é indispensável ao verdadeiro tradicionalismo; uma liberdade sem a qual todo tradicionalismo (…) degenera em opressão inquisitorial. O falso tradicionalismo tenta sempre suplantar a consciência humana por uma escolha, feita uma vez por todas, para nos deixar viver dentro de uma cega fatalidade. É a morte do espírito. E, com o espírito, morre a faculdade crítica pela qual julgamos o caos e “chamamos as coisas pelos nomes” a fim de as reconhecer. A consciência humana, artificialmente cortada das experiências da verdadeira tradição, sucumbe, encerrada num “modernismo” individualista ou coletivista. Os critérios se perdem. Não há mais compreensão do verdadeiro ou do falso, do bem ou do mal. Então, os homens começam por si mesmos. Os seus feitos “desafiam toda a experiência”. “Maldita seja” – diz [Achim von] Arnim – “a infâmia que começa por si mesma um novo mundo. O que é bom o foi eternamente.” [CARPEAUX, Otto Maria. “Tradições e tradicionalismos”. In: Ensaios Reunidos, vol 1. Rio de Janeiro: Topbooks.]
1 Comentário
23/07/2008 às 15:47
Não será o radicalismo de esquerda (e de direita) formas de “falso tradicionalismo”? Será que o “humanismo” não é hoje sinónimo de desumanidade? Terá sido o Iluminismo uma libertação da Europa inquisitorial ou uma mudança de tipo totalitarismo?
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