http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/freakonomics/2008/07/21/ult3431u57.jhtm
Freakonomics.com
21/07/2008
Aborto e Crime
por Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt
Na versão da coluna “Freakonomics” em livro, escrevemos que a decisão da Suprema Corte norte-americana no caso Roe contra Wade, de 1973, que sustentava o direito de uma mulher americana praticar o aborto, contribuiu para uma queda da criminalidade nos Estados Unidos nos anos 90. Será que a política de filhos únicos na China é responsável pelo efeito contrário hoje em dia?
Quando o governo chinês instituiu essa política em 1979, a decisão incitou uma onda de abortos seletivos, pois os casais decidiam que, como podiam ter apenas um filho, preferiam ter um homem, com o qual se beneficiariam mais. A onda de abortos seletivos ajudou a deixar a China moderna com um dos maiores desequilíbrios de gênero do mundo. Hoje, há 37 milhões de homens a mais do que mulheres na China, e muitos dos garotos crescem sem a possibilidade de encontrar um emprego ou formar uma família.
Então o que esse “excedente” de garotos está fazendo para preencher seu tempo?
Na revista The New Republic, a repórter Mara Hvistendahl, correspondente em Xangai – e ex- assistente de pesquisa de Dubner -, conta que à medida que a primeira geração de filhos únicos chegou à adolescência, a taxa de criminalidade juvenil na China mais do que duplicou, uma vez que os rapazes frustrados e ociosos se voltaram para o crime “sem motivos específicos, e normalmente sem pensar.”
Já examinamos anteriormente o efeito negativo de ser uma criança rejeitada. Mas o que acontece quando o sentimento de rejeição atinge uma geração inteira de homens enquanto eles crescem?