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Pais Bebês

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IHU 18/7/2008

Recém-nascidos poderão ser pais

Há 30 anos, o nascimento de Louise Brown, o primeiro bebê de proveta, marcou uma genuína revolução na medicina — um dos poucos avanços que realmente merecem a qualificação. A reportagem é do jornal O Globo, 17-7-2008.

Até então, os médicos tinham quase nada a oferecer a casais estéreis. O nascimento de Louise, em 25 de julho de 1978, mostrou que havia um caminho. Hoje, estima-se que quatro milhões de pessoas em todo o mundo foram geradas por fertilização assistida.

A área não parou de se desenvolver e, numa série de artigos publicados na revista “Nature” esta semana, especialistas prevêem que os próximos 30 anos haverá novas revoluções. Nenhuma área da medicina teve tantos avanços técnicos e criou tantos problemas éticos.

Filhos gerados após a morte dos pais, crianças com duas mães biológicas, úteros de aluguel e óvulos à venda são apenas algumas das questões atuais.

Davor Solter, um dos maiores inovadores em biologia do desenvolvimento, atualmente no Instituto de Biologia Médica de Cingapura, está convencido de que a infertilidade terá fim. Com o uso de células-tronco pluripotentes induzidas para gerar óvulos ou espermatozóide qualquer um poderá ter filhos, a despeito de sua idade.

“Recém-nascidos poderão ser pais, assim como pessoas com mais de 100 anos. Isso poderá facilmente acontecer em 30 anos”, escreveu Solter.

Scott Gelfand, diretor do Centro de Ética da Universidade Estadual de Oklahoma, diz que não demorará muito até que fetos possam se desenvolver fora do útero. Para ele, é um avanço fascinante e assustador.

Mulheres poderiam ser obrigadas a abrir mão da gestação normal e optar pelo útero artificial para evitar, por exemplo, nascimentos prematuros ou síndrome álcool-fetal, observou.

Alguns especialistas acreditam que os altos custos da reprodução assistida poderão ser drasticamente reduzidos. Alan Trounson, um dos pioneiros da reprodução assistida e diretor do Instituto de Medicina Regenerativa da Califórnia, disse à “Nature” que drogas baratas e a redução do uso de equipamentos caros baixará o preço do tratamento para menos de US$ 100. Isso tornará a fertilização in vitro acessível para muitas mulheres de países pobres, que sofrem discriminação por serem inférteis, afirmou Trounson.

Quase todos os especialistas não têm dúvidas de que a clonagem reprodutiva irá acontecer. Porém, bebês clonados não serão comuns, principalmente por restrições éticas.

Já a seleção de embriões deverá se disseminar. Hoje, as técnicas de pré-implante de embriões permitem selecionar não só o sexo quanto verificar se um embrião tem pelo menos 200 doenças.