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Nova Tradução

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Crítica

4 de Julho de 2008

RUSSELL, Bertrand. Os problemas da filosofia. Tradução, introdução e notas de Desidério Murcho. Lisboa; São Paulo: Edições 70, 2008. 232 p.

Apresentação
Bertrand Russell (1872-1970) foi um dos filósofos, lógicos e activistas mais influentes do séc. XX. Como filósofo, foi o responsável, juntamente com G. E. Moore (1873-1958), pelo abandono do idealismo hegeliano nas ilhas britânicas, introduzindo a chamada “filosofia analítica”. Como lógico, foi responsável, juntamente com Alfred North Whitehead (1861-1947) e Gottlob Frege (1848-1925), por desenvolvimentos cruciais na lógica clássica, que tinha estagnado durante vinte e cinco séculos, dando assim origem indirectamente a todas as lógicas formais contemporâneas. E, como activista, teve uma forte influência na vida política, social e cultural do seu tempo, intervindo em inúmeras acções cívicas e debates de ideias — o que lhe valeu a interdição de dar aulas no City College de Nova Iorque e duas sentenças de prisão, uma das quais aos 89 anos, mas também o prémio Nobel da Literatura em 1950.

Russell publicou cerca de dois mil artigos e mais de setenta livros, numa prosa geralmente clara e lúcida. Os Problemas da Filosofia está entre os seus livros mais lidos, e desde que foi publicado, em 1912, nunca deixou de ser reeditado. Trata-se de uma lúcida introdução à filosofia, com quatro características importantes.

Em primeiro lugar, Russell dá ao leitor a experiência do que é fazer filosofia: enfrentar problemas, avançar teorias ou teses, fundamentá-las cuidadosamente com argumentos sólidos e imaginativos, esclarecer conceitos. Ao estudar esta obra atentamente, aprende-se a filosofar. Russell não se coloca num pedestal, restando ao leitor apenas a tarefa formalista de interpretar o significado de um texto de sabor arcaico. Nesta obra, o leitor é constantemente convidado a pensar por si em alguns dos problemas centrais da filosofia.

Em segundo lugar, Russell mostra que no centro da actividade filosófica está a crítica: a filosofia, como se diz por vezes de forma algo pomposa, é “o lugar crítico da razão”. Sem pedantismos, Russell avalia criticamente não apenas os problemas da filosofia, mas também as ideias defendidas por filósofos como George Berkeley (1685-1753), Immanuel Kant (1724-1804) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). Mostra assim que fazer filosofia não é meramente interpretar e compreender os filósofos. Pelo contrário, é avaliar criticamente as suas ideias, e eventualmente procurar refutá-las, se tivermos boas razões para pensar que são falsas.

Em terceiro lugar, Russell não se limita a fazer um inventário algo impessoal dos problemas, teorias e argumentos centrais da filosofia. Em vez disso, apresenta e defende as suas próprias ideias sobre diversos aspectos centrais da filosofia, de tal modo que este livro pode ser lido de duas maneiras diferentes: como uma introdução activa à filosofia, mas também como uma obra de autor, relativamente sofisticada. Efectivamente, por detrás da aparente simplicidade de muitos parágrafos e capítulos desta obra estão ideias e argumentos sofisticados e substanciais que são parte integrante do pensamento filosófico de Russell, desenvolvido noutras obras e artigos de carácter avançado.

Finalmente, em quarto lugar, Russell fornece vários instrumentos conceptuais centrais para fazer filosofia. Isto significa que o leitor pode discordar de todas as teses substanciais defendidas por Russell, mas mesmo assim muito ganhar com o estudo atento deste livro.

SUMÁRIO
Introdução
Prefácios
Aparência e realidade
A existência da matéria
A natureza da matéria
Idealismo
Conhecimento por contacto e conhecimento por descrição
Sobre a indução
O nosso conhecimento de princípios gerais
Como o conhecimento a priori é possível
O mundo dos universais
O nosso conhecimento dos universais
Sobre o conhecimento intuitivo
Verdade e falsidade
Conhecimento, erro e opinião provável
Os limites do conhecimento filosófico
O valor da filosofia
Nota bibliográfica
Índice analítico

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