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Agora a Dor

Schopenhauer

por ALBERTO DA CUNHA MELO

Para cada sonho uma lápide
sóbria como o próprio cortejo,
depois disso, treinar seu cão
para morder qualquer desejo;

rasgada a farda da alegria
que, na batalha, o distraía,

agora a dor, em tempo célere,
pode estender, com dignidade,
sua cólera à flor da pele,

para sarjar com sua lança
tantos tumores da esperança.

[Do livro Meditação sob os Lajedos.
Natal/Recife: EDUFRN/Bagaço, 2002.
Reeditado no livro Dois Caminhos e uma
Oração
. São Paulo: A Girafa, 2003.]