[Republicação (3-11-06)]

…A identificação de atos terroristas é procedimento diferente da rotulagem de agrupamentos como terroristas. O primeiro fundamenta uma condenação moral, que é indispensável para separar a civilização da barbárie. O segundo representa um ato crucial no discurso político, com repercussões perigosas. O terror é uma forma de negação da política, mas, ao mesmo tempo, integra a política contemporânea [...] Classificar o Hamas e o Hizbollah como organizações terroristas tem trágicas implicações lógicas. Significa, quase inapelavelmente, caracterizar os palestinos e os xiitas libaneses como nações terroristas [...] a escalada de bombardeios, baseada na utopia sangrenta da eliminação das “organizações terroristas”, reverteu o cenário. Daqui em diante, independente da evolução militar, o resultado político está definido: o terror venceu, ao tornar-se nação. [Demétrio Magnoli, na FOLHA, 3/8/06]