Trabalho apresentado ao professor Edson Gil, como requisito parcial para a conclusão da disciplina de História da Filosofia Moderna I (2007.1)
por THIAGO RODRIGUES
“A obscuridade das distinções e dos princípios de que se servem é a causa de poderem falar de todas as coisas como se as soubessem e de sustentarem o que dizem contra os capazes e os mais sutis, sem que se tenham meios de os convencer. Por isso, tornam-se comparáveis a um cego que, para lutar sem desvantagens contra alguém que não é cego, levasse o adversário para o fundo de um subterrâneo muito escuro.” [René Descartes]
INTRODUÇÃO
O projeto cartesiano tem como objetivo “chegar ao conhecimento de todas as coisas” e, para isso, “procurar a verdade nas ciências” . Para tanto, Descartes busca seus fundamentos na matemática, a única ciência que “resiste” ao crivo de suas críticas. No centro de seu pensamento podemos colocar o primado da representação, que constitui a base de sua crítica à tradição, que ele via como dogmática e que fazia o saber depender da autoridade mais que do exercício independente da razão. Descartes é o representante da mudança do paradigma medieval para o paradigma moderno.
Podemos identificar como predominante no paradigma medieval o problema do ser enquanto ser, ou seja, o problema metafísico. Para os pensadores do medievo, todo o fundamento de sua filosofia era, ou a metafísica aristotélico-tomista, ou a autoridade da bíblia, portanto se valiam de um princípio de autoridade; para a mentalidade nascente, ao contrário, o que importava era o problema do conhecimento, ou seja, como é possível conhecer as coisas, tendo como fundamento a razão. É nesse contexto que Descartes é revolucionário, ao propor o primado do sujeito como fonte de conhecimento, contrariando assim, um certo “realismo ingênuo” que predominava na concepção aristotélico-tomista. Vemos, portanto, neste quadro, a crise na visão que o homem tinha sobre o mundo e si mesmo, influenciada por uma série de descobertas científicas ocorridas no século XVI e XVII. É neste contexto que se insere Descartes.
O que buscamos discutir, portanto, é a mudança do paradigma medieval para o paradigma moderno, tendo como fio condutor, ou seja, como seu maior representante Descartes. Para tanto, buscamos apoio em textos do próprio filósofo e, como interprete, baseamo-nos, principalmente na análise feita por Franklin Leopoldo e Silva.
É através da dúvida metódica que Descartes realiza uma ruptura com o princípio de autoridade, característica marcante do paradigma medieval, e é através do desenvolvimento do cogito que o filósofo apresenta o primado do sujeito, representando, portanto, a revolução na visão do homem sobre o mundo e sobre si mesmo.
CAPÍTULO ÚNICO – O PARADIGMA DA MODERNIDADE
1. A premissa metafísica
Para caracterizar a maneira de pensar que predominava na época de Descartes, é preciso nos remetermos à metafísica de Aristóteles, que, depois seria retomada por Tomás de Aquino numa perspectiva teológica, portanto, é a metafísica que melhor define o pensamento que predominou desde a antiguidade, passando pela Idade Média, até princípios da Idade Moderna.
Na metafísica aristotélico-tomista, todo conhecimento abstrato provinha de uma realidade sensível, ou seja, todo conhecimento tinha como ponto de partida os sentidos, podemos, portanto, identificar essa visão a um certo realismo ingênuo, visto que, não admitia nenhum conteúdo da mente que não houvesse antes estado nos sentidos. Dessa maneira todo conhecimento consistiria na explicação do trajeto percorrido pelas coisas ao espírito. É Descartes quem primeiro propõe o primado da representação, para depois, buscar uma correspondência na realidade objetiva.
Nessa concepção medieval, o estudo dos fenômenos físicos dependia da compreensão da relação causal desses fenômenos, ou seja, da compreensão do que Aristóteles chamava de forma substancial, ou melhor, das essências das coisas. Ora, essa visão se contrapõe à visão nascente na modernidade que começa a interpretar a realidade física a partir das relações matemáticas que os fenômenos mantém entre si, aonde, portanto, é possível estabelecer leis gerais que expliquem a realidade física.
Feita essa exposição das implicações epistemológicas e físicas que a metafísica clássica apontava, e que, se contrapunham de maneira gritante as descobertas científicas e ao espírito nascente, podemos nos deter ao pensamento e as inovações que essa visão cartesiana, que afirma o primado do sujeito, trouxe a visão de mundo que o homem passa a ter.
2.Do contexto ao texto
O século XVI e XVII foram profundamente marcados por descobertas científicas que mudaram a visão de mundo do homem ocidental, descobertas como as afirmadas por Copérnico e depois defendidas por Galileu, que propunham o heliocentrismo em oposição ao geocentrismo tradicionalmente aceito, fizeram com que o homem começasse a colocar em dúvida aquelas verdades dadas pela tradição.
O primeiro golpe decisivo que alteraria essa concepção de mundo, segundo Franklin Leopoldo e Silva , veio com Giordano Bruno, ainda no século anterior, que afirmava que o universo era infinito e sem centro, essa descoberta se contrapunha à concepção da cosmologia aristotélica, que era aceita na Idade Média. Graças a essa afirmação Bruno foi condenado à fogueira. Podemos destacar também as descobertas feitas por Kepler, que enunciou a lei do movimento elíptico dos planetas em torno do sol, aperfeiçoando a teoria de Copérnico, que depois seria comprovada por Galileu através do uso de uma luneta. Essas descobertas trariam conseqüências na concepção metafísica que o homem tinha sobre o universo, posto que “o retira de sua posição central e o torna um ser relativo, entre muitos outros”. Todas essas descobertas levaram os pensadores a abandonar o sistema aristotélico, tendo em vista a discrepância entre a cosmologia do filósofo grego e as novas descobertas, também segundo Franklin Leopoldo e Silva, o que ocorre é “uma separação entre o saber filosófico e o saber científico”.
É relevante, também, apontar que Descartes desenvolve seu pensamento num contexto onde as descobertas marítimas, a chamada revolução científica, a reforma protestante iniciada por Lutero e a contra-reforma promovida pela igreja católica, influenciavam a mentalidade dos homens. Foram essas descobertas que proporcionaram o desenvolvimento do renascimento cultural europeu. Mais confiante em si mesmo, o homem deixa de se preocupar tanto com as questões teológicas e passa a si colocar como centro das preocupações intelectuais e sociais, colocando-se, assim, como criador do mundo em que vive.
É nesse contexto que, em La haye, província francesa de Touraine, nasce Descartes. Estuda num dos colégios mais respeitados de seu tempo, La Flèche, que tempos depois seria inspirador de suas críticas à tradição, e de sua atração pela matemática. É importante destacar alguns dados da biografia de Descartes para melhor compreender o desenvolvimento de seu sistema filosófico. Proveniente de uma família abastada, Descartes goza de certo conforto para seguir sua busca sem maiores preocupações de ordem financeira, podendo assim, viajar e se dedicar aos estudos. Por volta de 1618, o filósofo se integra ao exército de Maurício de Nassau, onde tem um sonho que, segundo ele, seria uma revelação de algo, que chamou de ciência admirável. Correspondeu-se durante algum tempo com a rainha Elizabeth, tratando de assuntos filosóficos, “talvez estimulado por essas questões o filósofo compôs o Tratado das paixões da alma” (1649); Em 1649, o filósofo viaja para Suécia a convite da rainha Cristina, morrendo tempos depois devido, provavelmente, à pneumonia em 11 de fevereiro.
É interessante ressaltar como contemporaneamente a Descartes, Francis Bacon desenvolve seu pensamento dentro de uma perspectiva empirista, contrapondo-se radicalmente ao racionalismo fundado por Descartes, abrindo assim as duas principais vertentes do pensamento moderno .
Dentro deste contexto o filósofo sente a necessidade de estabelecer um método que unificasse as ciências, é, entre outros, num de seus textos mais célebres que Descartes se dedica a essa tarefa: o Discurso do método(1637).
3. “Ato de suspensão de juízo sobre o valor de verdade de todos os conhecimentos herdados pela tradição”
Ao buscar um método em que o ponto de partida para o conhecimento é proporcionado pela intuição, buscando fundamentar as ciências, Descartes tem como pressuposto uma crítica a maneira como tradicionalmente os estudos desestimulavam o uso do bom senso e da própria razão.
É em o Discurso do método que Descartes se dedica à tarefa de estabelecer esse método que unificaria as ciências. No entanto, não é possível entender o pensamento do filósofo sem se remeter também a sua física e a sua metafísica, como diria em Princípios de filosofia, “toda a filosofia é como uma árvore, cujas raízes são a metafísica, o tronco a física e os ramos que procedem do tronco são todas as outras ciências”.
Inicialmente é o próprio método que nos fornece um fundamento a essa crítica à tradição, no entanto, existe uma estreita relação entre o método de aquisição da evidência e a dúvida hiperbólica, que nos remete a sua metafísica, como condição inicial da reconstrução do saber. Portanto, o que Descartes faz com as quatro regras expostas no Discurso do método é uma “desconstrução” do saber herdado pela tradição, segundo Franklin Leopoldo e Silva podemos aproximar, inicialmente, essa postura do filósofo a postura dos céticos, Descartes põe em suspensão de juízo sobre o valor de verdade de todos os conhecimentos herdados pela tradição, isso ficará mais explicitado na própria exposição do método.
O método de Descartes se divide em quatro regras, que são:
1. Idéias claras e distintas. Só aceitar como verdade aquilo que se apresentar ao espírito de forma clara e distinta.
2. Análise. Subdividir as dificuldade no conhecimento em tantas parcelas quanto forem necessárias para alcançar as idéias claras e distintas.
3. Síntese. Reagrupar meus pensamentos, ordenado-os, progressivamente, dos mais simples aos mais complexos.
4. E por fim, a Enumeração. Revisar todo o processo em busca de alguma falha, até ter certeza de que todas as etapas foram rigorosamente cumpridas.
Decorre do método, portanto, que todo o conhecimento deve passar pelo crivo desse processo, aonde só pode ser aceito algo como verdadeiro se este se apresenta como claro e distinto, usando, para tanto, única e exclusivamente a razão. Ora, na tradição o conhecimento não se submetia a critérios de clareza e distinção, visto que este estava subordinado aos princípios de autoridade, sendo metodicamente necessário, desse modo, colocar tudo em dúvida.
Passemos, portanto, à dúvida metódica.
4. E se tudo for obra de um gênio maligno?
A dúvida metódica
No entanto, não é suficiente colocar em dúvida apenas o saber adquirido pela tradição, é preciso aprofundar a dúvida, questionando até mesmo a validade dos conhecimentos adquiridos através dos sentidos, visto que até mesmo nossos sentidos podem nos enganar. É este, portanto, o primeiro argumento da dúvida na busca pela certeza fundamental, já que os sentidos humanos me enganam algumas vezes, devo rejeitar como falsa as evidências trazidas por eles. Não posso confiar nas cores, sons, odores, texturas, etc.
Não devemos nos esquecer que o Discurso do método foi escrito como prefácio a ensaios científicos, e que, portanto, buscava estabelecer um método para as ciências. O que se segue é que Descartes precisa aprofundar a dúvida no sentido de alcançar a realidade das coisas e das idéias. Entramos, então, no campo da ontologia. É nas suas Meditações metafísicas que Descartes vai tratar da dúvida nessa esfera.
O segundo argumento apresentado por Descartes é o do sonho, já que, algumas das minhas vivências não passam de sonho, então rejeito como falsas todas as vivências, rejeito, aqui, portanto, a realidade exterior.
A dúvida hiperbólica
Descartes se vê obrigado a radicalizar sua dúvida:
“É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo da busca. (…) A reflexão só encontrará a evidência absoluta se partir da negação absoluta de todas as certezas.(…) A geração da certeza a partir da dúvida é que dá à dúvida o seu caráter metódico. Da mesma forma, o aparecimento de uma certeza como que brotada da própria dúvida mostrará que a dúvida terá sido provisória. Mas para que a certeza surgida a partir da dúvida corresponda ao que é exigido pelo método, é preciso que a dúvida seja radical, isto é, atinja inteiramente cada uma das antigas certezas, e hiperbólica, ou seja, deve ser levada ao limite extremo da generalização”.
É nesse sentido, portanto, que é possível compreender o processo da dúvida hiperbólica em Descartes. Mas como tudo deve se submeter à dúvida, até mesmo as verdades ditas matemáticas devem ser questionadas, “ainda que artificialmente”.
O próximo passo proposto pelo filósofo é pôr até mesmo as verdades dos raciocínios matemáticos em dúvida, pois mesmo eles podem ter sido colocados em minha mente por um Deus enganador, ou talvez, por um gênio maligno, que me levasse a crer na verdade das representações matemáticas, fazendo com que elas apareçam como claras e distintas quando na verdade não o são.
Depois de ter lançado tudo à dúvida só resta a Descartes uma certeza, o cogito:
“Porém, logo em seguida, percebi que, ao mesmo tempo que eu queria pensar que tudo era falso, fazia-se necessário que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, ao notar que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão sólida e tão correta que as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de lhe causar abalo, julguei que podia considerá-la, sem escrúpulo algum, o primeiro princípio da filosofia que eu procurava”.
Da descoberta do cogito temos como principal conseqüência o primado do sujeito. Posso duvidar de tudo, no entanto, de que existo como coisa pensante, no exercício mesmo da dúvida, disso eu não posso duvidar. O cogito, portanto, não é o resultado de um silogismo, de uma raciocínio, e sim, a constatação de um fato.
O que se busca, é explicitar o caráter metódico da dúvida, e também a maneira como ela é representativa da mudança do paradigma medieval para o paradigma moderno:
“Tenho o direito de supor tais ficções metodológicas da mesma forma que o geômetra tem o direito de supor linhas que de fato não lhe são realmente dadas na figura(…) A ficção, aqui, tem um propósito: ela é instrumental e participa do caráter metódico de uma dúvida que é provisória.
Com a dúvida exercida nessa extensão e nessa profundidade, o problema do conhecimento fica completamente formulado. Isso permitirá que a solução que lhe for dada seja também completa e encontrada no nível do fundamento do processo de conhecer”.
Portanto, a dúvida evidencia, aqui, a predominância do problema do conhecimento, centro das preocupações dos pensadores modernos.
Ao definir, portanto, o primado do eu pensante como fundamento do conhecimento, Descartes, se propõe um problema: como demonstrar racionalmente a existência do mundo físico? “Assim, antes mesmo de tentar demonstrar racionalmente a existência do mundo físico – onde se situa seu próprio corpo -, Descartes procura provar a existência de Deus, garantia última de qualquer subsistência e, portanto, fundamento absoluto da objetividade”.
“(…) Deus é o fundamento da verdade, ou seja, todas as representações que se me apresentarem metodicamente como claras e distintas estão garantidas por Deus (…)”.
5. Só Deus salva
Como foi apontado no tópico anterior, para Descartes, a realidade objetiva encontra seu fundamento através da prova da existência de Deus.
Um dos argumentos apresentados por Descartes como prova da existência de Deus encontra-se na terceira de suas Meditações metafísicas, e é baseada no argumento ontológico elaborado na Idade Média por Santo Anselmo, que afirma que só existindo realmente Deus/causa pode-se explicar a existência de um ser finito e imperfeito, ou seja, só através da existência de um Ser infinito e perfeito é possível a existência da idéia de infinito e perfeição/efeito, no Eu pensante. Essa idéia estaria na mente do homem como a “marca do artista impressa em sua obra”. Para tanto, Descartes se utiliza do argumento das idéias inatas, que, para ele, essas idéias só podem ter sido colocadas por Deus no espírito do homem. Portanto, é através de Deus que Descartes justifica a relação entre a substância pensante, e a substância extensa, ou seja, a realidade exterior.
Decorre dessa estrutura que Deus é o fundamento e a garantia da verdade:
“Quando o Eu pensante descobre em si a idéia de algo infinitamente feito, descobre também algo que o ultrapassa e que já vinha implicitamente atuando como critério de busca da verdade. Pois quando o Eu pensante se reconhecia imperfeito por errar e duvidar, só o fazia remetendo-se implicitamente a algo mais perfeito do que ele mesmo”.
Portanto, como já foi citado no princípio, para Descartes, a realidade exterior/física, a realidade interior/o Eu pensante, e a realidade metafísica estão estreitamente relacionadas, como se fossem partes da árvore do conhecimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como buscamos demonstrar, é Descartes o maior representante da mudança na visão que o homem tinha sobre o mundo e sobre si mesmo, ou seja, da passagem do paradigma medieval, com a predominância do problema metafísico, para o paradigma moderno e as preocupações com o problema do conhecimento.
Ficou explicitado que é através da dúvida metódica que o filósofo realiza uma ruptura com o princípio de autoridade, e que, é através do cogito que Descartes apresenta o primado do sujeito no processo do conhecimento.
Como últimas considerações é importante ressaltar como centro do legado deixado pelo projeto cartesiano, o primado do sujeito como fundamento do problema do conhecimento, pensamento esse que repercutiria por toda a idade moderna, dando origem a duas correntes filosóficas: o racionalismo, representado por Spinoza, Malebranche, Leibniz, etc; e o empirismo, representado, primeiramente por Francis Bacon, e posteriormente por Locke, Berkeley, Hume, etc; desembocado em Kant, e se desdobrando, de alguma maneira, até os dias de hoje. Dentro dessa discussão podemos classificar, de uma maneira geral, os racionalistas como dedutivistas, e em contrapartida os empirista como representantes do indutivismo.
Podemos representar uma síntese do pensamento cartesiano através do chamado esquema do triângulo de Platão, onde as bases do triângulo representaria respectivamente: o Eu pensante, ou seja, o sujeito; a “coisa extensa”, ou seja, a realidade objetiva; e por fim a “coisa infinita”, Deus, como o intermediário entre uma e outra, portanto responsável pela comunicação entre ambos, é, portanto, Deus quem garante, em última instância, o conhecimento para Descartes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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LEMINSKI, Paulo. O catatau. Curitiba: Travessa dos editores, 2004. 3º ed.
PESSANHA, José A. M. Descartes: vida e obra. In: Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
REALE, Giovani, ANTISERI, Dario. História da filosofia: do humanismo a Kant. Vol. II. São Paulo: Paulus, 1990.
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