03/07/2009

“Como viver se ‘nada é verdadeiro’?”

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=23615

IHU 3/7/2009

A arte de viver, segundo Michel Foucault

O jornal La Repubblica, 01-07-2009, publicou um texto do filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), em que se debate a relação do cinismo, do ceticismo e do niilismo, a partir da arte. Segundo Foucault, “em um Ocidente que inventou tantas verdades diversas e que formou tantas diferentes artes de existir, o cinismo serve para nos lembrar que bem pouca verdade é indispensável para quem quer viver verdadeiramente, e que bem pouca vida é necessária quando nos mantemos verdadeiramente na verdade”. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

por MICHEL FOUCAULT

Há uma razão que levou a arte moderna a se tornar o veículo do cinismo: falo da ideia de que a própria arte, seja literatura, pintura ou música, deve estabelecer uma relação com o real que vá além do simples embelezamento, da imitação, para ser deixada nua, para se tornar desmascaramento, raspagem, escavação, redução violenta da existência aos seus elementos primários. Não há dúvida de que essa visão da arte foi se firmando de modo sempre mais marcado a partir da metade do século XIX, quando a arte (com BaudelaireFlaubertManet) se constituiu como lugar de irrupção daquilo que está embaixo, do lado de baixo, de tudo aquilo que, em uma cultura, não tem o direito ou, pelo menos, não tem a possibilidade de se expressar.

Com relação a isso, pode-se falar de um antiplatonismo da arte moderna. Se vocês viram a mostra sobre Manet neste inverno, entenderão o que eu quero dizer: o antiplatonismo, encarnado de maneira escandalosa por Manet, representa, a meu ver, uma das tendências de fundo da arte moderna, de Manet até Francis Bacon, de Baudelaire até Samuel Beckett ou Burroughs, mesmo que não se identifique atualmente como elemento caracterizador de toda a arte possível. Antiplatonismo: a arte como lugar de irrupção do elementar, como o despir-se da existência.

Em consequencia, a arte estabeleceu com a cultura, com as normas sociais, com os valores e os cânones estéticos uma relação polêmica, de redução, de recusa e de agressão. É esse o elemento que faz da arte moderna, a partir do século XIX, o movimento incessante por meio do qual toda regra estabelecida, deduzida, induzida, inferida sobre a base de qualquer um dos seus atos precedentes, foi rejeitada e recusada pelo ato sucessivo. Em toda forma de arte, pode-se encontrar uma espécie de cinismo permanente com relação a toda forma de arte conquistada: é o que podemos chamar de antiaristotelismo da arte moderna.

A arte moderna, antiplatônica e antiaristotélica: posta a nu, redução ao elementar da existência; rejeição, negação perpétua de toda forma já conquistada. Esses dois aspectos conferem à arte moderna uma função que, substancialmente, poderia ser definida como anticultural. É preciso opor a coragem da arte, na sua verdade bárbara, ao conformismo da cultura. A arte moderna é o cinismo da cultura, o cinismo da cultura que se revolta contra si mesma. E é sobretudo na arte, mesmo que não só nela, que se concentram, no mundo moderno, no nosso mundo, as formas mais intensas daquela vontade de dizer a verdade que não tem medo de ferir os seus interlocutores.

Naturalmente, ainda ficam muitos aspectos a ser aprofundados, particularmente o da própria gênese da questão da arte como cinismo da cultura. Pode-se ver os primeiros sinais desse processo, destinado a se manifestar de modo clamoroso nos séculos XIX e XX, em “O sobrinho”, de Rameau e no escândalo provocado por BaudelaireManet, (Flaubert?).

Depois, existem as relações entre cinismo da arte e vida revolucionária: afinidade, fascinação recíproca (perpétua tentativa de unir a coragem revolucionária de dizer a verdade à violência da arte como irrupção selvagem do verdadeiro); mas também o fato de não serem substancialmente sobreponíveis, devido, talvez, ao fato de que, se essa função cínica está no coração da arte moderna, o seu papel no movimento revolucionário é só marginal, pelo menos desde que este último foi dominado por formas de organização, desde quando os movimentos revolucionários se organizam em partidos, e os partidos definem a “verdadeira vida” como total conformidade às normas, conformidade social e cultural. É evidente que o cinismo, longe de constituir uma ligação, é um motivo de incompatibilidade entre o ethos da arte moderna e o da prática política, seja ela também revolucionária.

Poder-se-ia formular o mesmo problema em termos diferentes: por que o cinismo, que no mundo antigo assumiu as dimensões de um movimento popular, tornou-se, nos séculos XIX e XX, uma atitude elitista e marginal, mesmo que importante para a nossa história, e por que o termo cinismo é utilizado quase sempre em referência a valores negativos?

Poder-se-ia acrescentar que o cinismo tem muitos pontos de contato com uma outra escola de pensamento: o ceticismo – também neste caso, um estilo de vida, mais do que uma doutrina, um modo de ser, de fazer, de dizer, uma disposição a ser, a fazer e a dizer, uma atitude a colocar à prova, a examinar, a colocar em dúvida. Mas com uma diferença extremamente grande: enquanto o ceticismo aplica sistematicamente essa atitude ao campo científico, quase sempre ignorando o exame dos aspectos práticos, o cinismo parece centrado em uma atitude prática, que se articula em uma falta de curiosidade ou em uma indiferença teórica e na aceitação de alguns princípios fundamentais.

Isso não exclui que, no século XIX, a combinação entre cinismo e ceticismo tenha estado na origem do “niilismo”, entendido como modo de viver baseado em uma preciosa atitude com relação à verdade. Devemos deixar de considerar o niilismo sob um único aspecto, como destino inelutável da metafísica ocidental, à qual se poderia escapar apenas fazendo um retorno àquilo cujo esquecimento essa própria metafísica tornou possível; ou como uma vertigem de decadência típica de um mundo ocidental que já se tornou incapaz de crer em seus próprios valores.

O niilismo deve ser considerado, em primeiro lugar, como uma figura histórica particular pertencente aos séculos XIX e XX, mas deve também ser inscrito na longa história que o precedeu e preparou, a do ceticismo e do cinismo. Em outras palavras, deve ser visto como um episódio, ou melhor, como uma forma, historicamente bem definida, de um problema que a cultura ocidental começou a se colocar já há muito tempo: o da relação entre vontade de verdade e estilo de existência.

O cinismo e o ceticismo foram dois modos de se colocar o problema da ética da verdade. A sua fusão no niilismo ilumina uma questão essencial para a cultura ocidental, que pode ser formulada deste modo: quando a verdade é colocada continuamente em discussão pelo próprio amor pela verdade, qual é a forma de existência que melhor combina com esse contínuo interrogar-se? Qual é a vida necessária quando a verdade não é mais necessária? O verdadeiro princípio do niilismo não é: Deus não existe, tudo é permitido. A sua fórmula é, pelo contrário, uma pergunta: se devo me colocar diante do pensamento que “nada é verdadeiro”, como devo viver?

A dificuldade de se definir a ligação entre o amor da verdade e a estética da existência está no centro da cultura ocidental. Mas não me preocupa tanto definir a história da doutrina cínica, quanto a da arte de existir. Em um Ocidente que inventou tantas verdades diversas e que formou tantas diferentes artes de existir, o cinismo serve para nos lembrar que bem pouca verdade é indispensável para quem quer viver verdadeiramente, e que bem pouca vida é necessária quando nos mantemos verdadeiramente na verdade.

Para ler mais:

01/07/2009

TOR: Anonimidade Online

http://www.torproject.org/index.html.pt

Tor é um projeto de software que protege você contra análise de tráfego, uma forma de vigilância na internet que ameaça a liberdade pessoal, a privacidade, negócios confidenciais, relacionamentos e a segurança de Estado. Tor protege você distribuindo suas comunicações ao longo de uma rede de nós rodadas por voluntários em volta do mundo: isso previne que alguém monitorando sua conexão com a internet aprenda quais sites você visita, e previne que os sites que você visita saibam onde você está, sua localização física. Tor funciona com muitas aplicações existentes, incluindo navegadores, programas de mensagens instantâneas, login remoto, e outras aplicações baseadas no protocolo TCP.

Centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo usam Tor para uma enorme variedade de razões: jornalistas e blogueiros, defensores dos direitos humans, agentes da lei, soldados, corporações, cidadãos de regimes repressivos, e até mesmo cidadãos comuns. Veja páginaQuem usa o Tor? para exemplos de usuários típicos. Veja a página de resumo para uma explicação detalhada daquilo que o Tor faz, por que essa diversidade de usuários é importante, e como o Tor funciona.

Essas são três partes de um impresso que você precisa conhecer.

  1. O Tor não protege você se não usado corretamente. Leia nossa lista de alertas e esteja certo de que seguiu as instruções da sua plataforma cuidadosamente.
  2. Mesmo se você configurar e usar o Tor corretamente, ainda existem ataques em potêncial que podem comprometer a habilidade do Tor em proteger você.
  3. Nenhum sistema de anonimidade é perfeito hoje, e o Tor não é exceção: você não deve confiar unicamente na atual rede Tor se você realmente precisar de um forte anonimato.

A segurança do Tor aumenta a medida que mais pessoas se voluntariam para rodar nós(relays). (Isso não é realmente tão difícil quanto você deve estar pensando em poder fazer, e pode significativamente melhore sua segurança contra muitos ataques.) Se rodar um nó(relay) não for com você, nós precisamos de ajuda com muitos outros aspectos do projeto, e nós precisamos de fundos para continuar a fazer a rede Tor rápida e mais fácil de usar mantendo uma boa segurança.TORO

01/07/2009

Dicas para o TCC

http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/07/01/ult105u8327.jhtm

UOL Educação

01/07/2009 – 10h46

Veja cinco dicas para planejar, executar e concluir sua monografia ou seu TCC

por ANA OKADA

O TCC (Trabalho de conclusão de curso), conhecido também como TGI (Trabalho de graduação interdisciplinar) ou TFG (Trabalho Final de Graduação), deixa muitos universitários de cabelos em pé. Ele coincide com o final da graduação e com o início da vida profissional. Em muitos casos, esse trabalho pode funcionar ainda como um cartão de visitas para futuras oportunidades.

Como se organizar para fazê-lo sem sofrimento? Veja cinco dicas da especialista Rachel Polito, que escreveu “Superdicas para um Trabalho de Conclusão de Curso Nota 10″, da Editora Saraiva. Confira:

1 – Escolha pessoas que trabalhem bem em grupo
“A escolha do grupo é tão importante quanto a escolha do tema”, diz a especialista. O estudante, ao escolher o grupo, deve esquecer a amizade e priorizar as pessoas que trabalhem melhor em grupo: “Não escolha seus melhores amigos. O trabalho é longo e as desavenças acontecem se você não estiver preparado”, adverte.

Para Adriano Plesskott, que se formou recentemente, ter uma boa equipe fez a diferença: “Fiz o TCC com uma colega com quem sempre fiz as atividades da faculdade. Foi muito bom, porque já sabíamos como cada um trabalhava”.

2 – Tenha sempre em mente como será o “produto final”
Mais importante do que ter uma idéia do começo do trabalho, é saber ver como será seu final. “Costumo dizer que uma boa forma de iniciar o projeto é redigir uma conclusão. É evidente que ela será muito diferente da final, mas o estudante terá uma idéia de onde pretende chegar”, diz Rachel. Essa visão evita o problema que muitos alunos têm de não conseguirem terminar o trabalho, pois não tinham em mente os objetivos que deveriam cumprir.

3 – Faça um trabalho de conclusão de curso com um tema que você goste
“O tema deve sempre ser relevante à área de estudo, no entanto, a troca de tema e a demora na conclusão do TCC ocorrem pela dificuldade de aliar o que se gosta ao que precisa ser feito”, analisa Rachel. Para evitar problemas ao longo do trabalho, um conselho da especialista é adaptar assuntos ligados a temas de seu interesse com a sua área de estudo: “O caminho será mais tranquilo se você fizer algo que goste”.

O trabalho da estudante de jornalismo Juliana Omena obteve nota máxima e parte do sucesso se deveu à escolha do assunto: “Desde o início da faculdade tinha mais proximidade com matérias voltadas ao jornalismo social. Começamos a buscar em diversos sites, até que um dia achamos o tema no Orkut. Acredito que tudo apareceu certo e na hora certa”, diz Juliana.

4 – O TCC exige planejamento estratégico; saiba organizá-lo
Rachel diz que é importante não perder de vista a natureza do TCC. Para ela, o trabalho é “na verdade, um planejamento estratégico completo, independente da área de formação do aluno”. Ele deve ser divido nas seguintes etapas:

Definição dos objetivos: para a especialista, uma boa execução do desenvolvimento do texto depende desse estágio.
Justificativa: parte em que se explica a importância do trabalho para a área de formação escolhida.
Introdução: com um panorama geral do assunto;
Desenvolvimento: trabalho teórico e de pesquisa, ou o plano de ações, se houver um cliente.
Conclusão: que faz a amarração de tudo o que foi estudado.

5 – Faça um cronograma e respeite-o
Por fim, Rachel ressalta a importância de saber organizar o tempo de forma a aproveitá-lo o melhor possível: “A melhor maneira de não se perder é desenvolver um cronograma e combiná-lo com seu orientador, com prazos de entregas e as etapas que devem ser cumpridas”.

O cronograma deve dar uma margem até mesmo para os imprevistos que possam surgir no meio do caminho. Além disso, é necessário deixar tempo para a revisão final, a impressão e a encadernação: “Portanto, terminar em cima do prazo é arriscado e perigoso”, salienta.

E se você “travar” no meio da elaboração do TCC? Diversas pessoas se queixam de, durante a escrita do trabalho, passarem por períodos sem idéias novas para escrever. O principal antídoto para o “branco” é a leitura da bibliografia com antecedência e se munir de livros e materiais.

Por fim, Rachel Polito lembra que a conclusão imaginada no início do trabalho deve ser revista levando em conta os objetivos iniciais. “É importante lembrar que conclusão é uma etapa importante no trabalho e requer atenção especial. Um trabalho bem desenvolvido com uma conclusão fraca pode estar arruinado.”

01/07/2009

Interdisciplinaridade Aprovada

http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/07/01/ult105u8325.jhtm

UOL Educação

1/7/2009 – 6h26

Conselho de Educação aprova fim de disciplinas no ensino médio; cem escolas devem implantar

O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou nesta terça-feira (30), em Brasília, a proposta do MEC (Ministério da Educação) de apoiar currículos inovadores para o ensino médio. Pelo projeto, será possível lecionar os conteúdos de maneira interdisciplinar, sem que sejam divididos nas tradicionais disciplinas como história, matemática ou química. O aluno também terá condições de escolher parte de sua grade de estudos.

A partir de 2010, cerca de cem escolas deverão receber financiamento da pasta para implantar mudanças curriculares com o objetivo de tornar a etapa de estudos mais atraente.

“Esperamos que essa proposta seja acompanhada e avaliada e possa se tornar uma política universal”, disse a secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda.

De acordo com ela, a intenção é que o programa seja estendido e que todas as escolas que oferecem ensino médio possam adotar as mudanças curriculares. “Nossa intenção não é ter escolas modelos, mas que todas possam oferecer ensino de mais qualidade”, disse o coordenador-geral do ensino médio da Secretaria de Educação Básica, Carlos Artexes Simões.

Como funciona a ideia
Pela proposta, o ministério financiará projetos de escolas públicas que privilegiem, entre outras mudanças, um currículo interdisciplinar e flexível para o ensino médio.

A intenção é que a atual estrutura curricular – organizada em disciplinas – seja substituída pela organização dos conteúdos em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura, para que os conteúdos ensinados ganhem maior relação com o cotidiano e façam mais sentido para os alunos. Outra mudança a ser estimulada é a flexibilidade do currículo: 20% da grade curricular deve ser escolhida pelo estudante.

O texto prevê o aumento da carga horária mínima do ensino médio – de 2,4 mil horas anuais para 3 mil – além do foco na leitura, que deve passar por todos os campos do conhecimento. A proposta estimula experiências com a participação social dos alunos e o desenvolvimento de atividades culturais, esportivas e de preparação para o mundo do trabalho.

Segundo Artexes, a partir das recomendações do CNE à proposta, o ministério terá condições de organizar o programa e apresentá-lo aos estados e ao Distrito Federal. “Nos próximos 40 dias, o ministério definirá o volume de recursos disponível para o programa e a forma de financiamento, se diretamente à escola ou se por meio de convênio com as secretarias estaduais”, afirmou.

* Com informações da Assessoria de Imprensa do MEC

30/06/2009

História da Filosofia em 3 min

28/06/2009

Lançamentos

Os Manuscritos do Mar Morto
296 págs., R$ 21,50
de Edmund Wilson. Trad. Hildegard Feist. Companhia das Letras (r. Bandeira Paulista, 702, conjunto 32, CEP 04532-002, São Paulo, SP, tel. 0/xx/11/ 3707-3500).
O crítico norte-americano (1895-1972) analisa os impactos -para a interpretação dos textos bíblicos- da descoberta de documentos milenares no Oriente Médio em 1947.

Compreender Hume
232 págs., R$ 36
de Angela M. Coventry. Trad. Hélio Magri Filho. Ed. Vozes (r. Frei Luís, 100, CEP 25689-900, Petrópolis, RJ, tel. 0/ xx/24/2233-9000).
Introdução ao pensamento do filósofo escocês David Hume (1711-76), autor do “Tratado da Natureza Humana”.

Modernidades Alternativas na América Latina
496 págs., R$ 69
Eneida Maria de Souza e Reinaldo Marques (org.). Ed. UFMG (av. Antônio Carlos, 6.627, CEP 31270-901, Belo Horizonte, MG, tel. 0/ xx/31/3409-4650).
Volume de ensaios sobre as releituras culturais do conceito de modernidade em países latino-americanos -com ênfase no Brasil.

A Construção do Argumento
120 págs., R$ 27,50
de Anthony Weston. Trad. Alexandre Feitosa Rosas. WMF Martins Fontes (r. Conselheiro Ramalho, 330, CEP 01325-000, SP, tel. 0/ xx/11/3241-3677).
O livro apresenta normas, exemplos e sugestões para a composição de textos argumentativos.

História – A Ciência dos Homens no Tempo
254 págs., R$ 40
de José Carlos Reis. Ed. da Universidade Estadual de Londrina (caixa postal nº 6.001, CEP 86051-990, Londrina, PR, tel. 0/xx/43/ 3371-4674).
O professor na Universidade Federal de Minas Gerais propõe uma reflexão epismetológica sobre a relação entre o tempo, a filosofia e a historiografia.

25/06/2009

Ajuda Financeira Para A Indústria… Financeira

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=23397

IHU 25/6/2009

Relatório da ONU demonstra que a ajuda a bancos em 1 ano supera a para países pobres em 50

A indústria financeira internacional recebeu no último ano quase dez vezes mais dinheiro público em ajuda do que todos os países pobres em meio século, segundo aponta um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Campanha da ONU pelas Metas do Milênio. A notícia da BBC Brasil e publicada por EcoDebate, 25-6-2009.

Segundo a organização, que promove o cumprimento das metas das Nações Unidas para o combate à pobreza no mundo, os países em desenvolvimento receberam em 49 anos o equivalente a US$ 2 trilhões em doações de países ricos.

Apenas no último ano, os bancos e outras instituições financeiras ameaçadas pela crise global receberam US$ 18 trilhões em ajuda pública.

A divulgação do relatório coincide com o início de uma conferência entre países ricos e pobres na sede da ONU, em Nova York, para discutir o impacto da pior crise econômica mundial desde os anos 1930.
O encontro, que acontece até o dia 26, tem como principal objetivo “identificar as respostas de emergência para mitigar o impacto da crise a longo prazo”, segundo a convocação das Nações Unidas.

Um dos principais desafios da reunião será conseguir um compromisso que permita unir países industrializados e em desenvolvimento para definir uma nova estrutura financeira mundial, prestando atenção especial às populações mais vulneráveis.

Vontade política

O relatório da Campanha pelas Metas do Milênio argumenta que a destinação de dinheiro ao desenvolvimento dos países mais pobres não é uma questão de falta de recursos, mas sim de vontade política.

“Sempre digo que se você fizer uma promessa e não cumprir, é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não cumprir, então é praticamente um crime”, disse à BBC o diretor da Campanha pelas Metas do Milênio, Salil Shetty.

“O que é ainda mais paradoxal é que esses compromissos (firmados pelos países ricos para ajudar os pobres) são voluntários. Ninguém os obriga a firmá-los, mas logo eles são renegados”, lamentou.

“O que pedimos de verdade é que nas próximas reuniões, na ONU nesta semana, e na cúpula do G-8 (em julho), os países ricos apresentem uma agenda clara para cumprir com as promessas que fizeram”, disse Shetty.

O relatório da organização observa ainda que a crise mundial piorará a situação dos países mais pobres. Na última semana, a FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação) afirmou que a crise deixará 1 bilhão de pessoas em todo o mundo passando fome.

Para Shetty, é importante que os países pobres também participem de qualquer discussão sobre a crise financeira global.

“Hoje eles não têm nenhuma voz nas principais instituições financeiras. Enquanto não participarem da tomada de decisões, as coisas nunca vão mudar”, afirmou.

24/06/2009

Lógica de Primeira Ordem

Versão de obra de referência na área de lógica chega ao Brasil

Apresentação da editora

Lógica de primeira ordem, lançamento da Editora Unesp e Discurso Editorial, é uma introdução a esse sistema que tem poder expressivo suficiente para formalizar praticamente toda a matemática. Raymond M. Smullyan, um dos grandes lógicos contemporâneos, apresenta a Teoria da Quantificação, além de expor resultados e técnicas concernentes aos métodos “analíticos” ou “sem corte” e enfatizar o ponto de vista dos tableaux em virtude de sua fascinante simplicidade e elegância matemática.

Referência internacional desde que sua primeira edição foi publicada em 1968, trata-se de um estudo sobre a
lógica de predicados de primeira ordem. Entre diversas teorias e sintaxes, cobre várias provas de compacidade e introduz a lógica de predicados de primeira ordem e a prova da completude, discutindo um princípio unificador de consciência analítica. Também apresenta os sistemas de Gentzen, o Lema de Interpolação de Craig e o Teorema de Definibilidade de Beth.

Devido à sua detalhada e clara exposição, Lógica de primeira ordem é recomendada tanto para qualquer
interessado no tema, quanto para quem faz parte de cursos introdutórios de lógica. O livro serve como leitura
complementar, dando base para o estudo da teoria da prova e da ciência da computação teórica.

Sobre o autor – Raymond Smullyan, um dos grandes lógicos contemporâneos, é autor de diversos livros sobre
lógica e problemas lógico-matemáticos, além de coletâneas de ensaios filosóficos e aforismos. É autor de Theory of Formal Systems (1961), Gödel’s Incompleteness Theorems (1992) e Recursion Theory for Matemathematics (1993), entre outras obras.

Título: Lógica de primeira ordem
Autor: Raymond M.Smullyan
Páginas: 188
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$ 34
ISBN: 978-85-7139-520-6
Data de publicação: 2009

Os livros da Fundação Editora da Unesp podem ser adquiridos pelo site www.editoraunesp.com.br ou telefone (11) 3242-7171. Ramal 417.

24/06/2009

Buscar a Sabedoria

http://www.humanismointegral.com/DOCS_4_Documentacion/6_TEXTOS_BREVES/420_19_FilosofarGilson.html

¿QUÉ ES FILOSOFAR?

por ETIENNE GILSON

Filosofar… es buscar la sabiduría por medio de un esfuerzo consistente de reflexión. Nadie puede filosofar y disfrutar de una vida incompatible con ello. La sabiduría es el conocimiento de los primeros principios y de las primeras causas: conocemos las cosas no como un recuerdo de detalles, sino a través de principios generales.

La filosofía es una ocupación de toda la vida y hay pocos filósofos. Incluso los profesores de filosofía son raramente filósofos, puesto que enseñar filosofía y filosofar no son la misma cosa. Enseñar filosofía asegura la libertad de filosofar con el menor daño a la vida filosófica. Sin embargo, enseñar es actuar, mientras filosofar es contemplar. Por ejemplo, Bergson fue un magnífico profesor, pero lo que enseñaba no tenía nada que ver con su propia filosofía.

Si la filosofía es una ocupación de toda una vida, ¿cómo puede ser enseñada? La respuesta es que los estudiantes vienen a entender con sus propios intelectos, y son sus propios profesores. Aquino, comentando sobre Agustín, observa que los maestros, no obstante que no pueden pensar por nosotros, nos pueden hacer pensar por nosotros mismos, o, al menos, ayudarnos a ello.

Cuando preguntamos de qué manera el profesor nos va a enseñar filosofía, no estamos preocupados con los detalles de la pedagogía filosófica. Hay tantas buenas maneras de enseñar filosofía como buenos profesores de filosofía. Pero, ¿cuál es la mejor manera? Preguntado sobre esto, Descartes recomendó sorpresivamente no su propio trabajo, sino los cursos completos enseñados por los jesuitas. Hay muchos textos introductorios (como, por ejemplo, aquellos que dan una visión general de la filosofía tomista), que son valiosos como guías de los iniciados en el desconocido terreno de la filosofía (como los mapas, que son guías, pero no una completa descripción del territorio).

La mayoría de los iniciados no continuarán con la filosofía, y una explicación superficial será de valor para ellos. Sea que un estudiante continúe o no, no se puede comenzar con la obra de Aquino, puesto que él no era un iniciado escribiendo para iniciados – por eso las introducciones han sido siempre necesarias. Mas, ¿qué hacemos enseguida para aquellos que continúan? Podemos pasar a introducciones más difíciles y a libros más especializados que tratan de problemas específicos. El problema con esta aproximación es que trata a la filosofía como si fuese una ciencia (un cuerpo de conocimientos relativos a un mismo objeto, racionalmente demostrable y, por tanto, comunicable por medio de la enseñanza). Pero incluso en el caso de la ciencia, esta aproximación es apropiada sólo en tanto la ciencia está conformada por resultados previamente adquiridos. Saber de una ciencia no lo convierte a uno en científico. Similarmente, donde la filosofía comienza, las introducciones a la filosofía deben terminar. Se trata de una experiencia nueva, tan radicalmente diferente de lo anterior como ser un gran profesor de literatura inglesa es diferente de ser un Shakespeare. Lo que está en juego aquí no es meramente aprender filosofía, sino llegar a ser un filósofo.

No estoy hablando del nacimiento de un gran genio filosófico; pues no se puede ser creativo sin ser un verdadero filósofo y sí se puede ser un verdadero filósofo sin ser creativo. Las ideas de un verdadero filósofo no son puramente deductivas, pero ellas se funden en un todo orgánico animadas en sí mismas por una vida singular, siendo capaces de asimilar o rechazar el alimento espiritual que se le ofrece, de acuerdo a las leyes de su propio desarrollo interno. Pero una vez nacido, el filósofo tiene todavía que crecer, y necesita ser enseñado por un maestro y compañero durante toda su vida. Tal maestro debe ser un gran filósofo – los que son de oferta muy limitada.

La respuesta es buscar en el pasado, pues, desde el momento que tratamos de filosofía, ¿qué diferencia existe entre el pasado y el presente?. Los problemas filosóficos trascienden el tiempo. Sin embargo, muchos profesores de filosofía se oponen a la historia de la filosofía; el propósito de una educación filosófica, dicen, no es lo que la gente pensaba en el pasado, sino lo que debiéramos pensar ahora; la historia de la filosofía es el cementerio de los filósofos muertos; y enseñar la historia de la filosofía es enseñar un compendio de errores, cuyo estudio dirigirá a los estudiantes hacia el escepticismo filosófico.

Estos críticos tienen razón, en tanto la filosofía es una ciencia ya hecha, que lo es, y los escépticos no tienen nada que hacer enseñando filosofía. Sin embargo, nosotros estamos buscando un maestro que nos guíe en nuestro empeño y, porque fallamos en encontrar uno en el presente, tenemos que mirar al pasado. Encontramos al maestro en Tomás de Aquino. Pero si alguien dice ser un tomista, ¿cómo vamos a saber si realmente lo es? No es suficiente recurrir a un libro sobre Aquino, puesto que hay diferentes interpretaciones. La interpretación debe ser comparada con el texto original. Si se quiere saber si lo que Aquino dice es verdad, se debe saber primero lo que efectivamente él dice, y eso es lo que significa ser un historiador.

A comienzos del siglo XIX, las escuelas francesa debían enseñar la filosofía de Locke, pero “con todas las correcciones necesarias”. Esto no tiene ningún sentido, quienquiera sea el filósofo, puesto que su trabajo es un todo orgánico y negar cualquiera de sus partes es una negación del todo. La filosofía de Aquino estaba supuesto ser una corrección de la de Aristóteles, pero de hecho fue una nueva filosofía. La diferencia entre un libro de texto o curso de lecturas y un tratado filosófico es que este último tiene la unidad orgánica que distingue la auténtica reflexión filosófica. La única manera de probar esto es por medio de la experiencia personal, esto es, una vida dedicada al contacto personal e íntimo con los grandes filósofos.

¿Qué somos, los profesores de filosofía, sino estudiantes más viejos que nuestros propios estudiantes? No podemos ser sus maestros, puesto que no somos maestros. Cuando nuestro trabajo con ellos se haya completado, llevémoslos directamente ante aquel que es nuestro maestro. Enseñémosle, por tanto, a aprender con él, bajo él, y no con nosotros y bajo nosotros. De verdad, todavía podemos ayudarlos, pero no como antes. Nuestra nueva tarea es enseñarles a aprender de uno más grande que nosotros, a leer a Tomás de Aquino, a asimilar su pensamiento, a pensar con él como lo hace un verdadero filósofo…

La meta final de la educación filosófica no es enseñar filosofía, sino formar filósofos hechos y derechos, y es por esto que la historia de la filosofía es un componente esencial. La historia de la filosofía no puede ser el cementerio de los filósofos muertos, porque no hay muerte en filosofía. La fuente del escepticismo no es la historia de la filosofía, sino la ilusión de que las introducciones a la filosofía pueden contener sabiduría.

Es un error pensar de la filosofía como un existente independiente de la mente de los filósofos; de manera que no puede ser capturada en un libro sobre ‘filosofía pura y simple’, independientemente de las filosofías de los individuos. Lo que hace universal a la filosofía es el hecho que todos tenemos idénticos intelectos que son el corazón de nuestra personalidad. Podemos ver las mismas verdades, en el entendido que usamos propiamente el intelecto. La Verdad no es una nube perenne flotando a través de las edades en una cierta estratosfera metafísica.

En el momento mismo que abandonamos el espejismo de una filosofía autosubsistente, nos encontramos rodeados de la amistosa compañía de los filósofos. Aristóteles fue el maestro de Aquino, y su trabajo fue historia de la filosofía. Pero, si nos preguntasen hoy día: ¿Quién es el filósofo?, entusiastamente responderíamos: Tomás de Aquino.

21/06/2009

Nova Coleção de Filosofia

Publishnews – 15/05/2009

Marilena Chauí vai lançar, em agosto, uma coleção com 41 fascículos sobre filosofia, que será vendida em bancas de jornal. Com edição do filósofo Juvenal Savian e textos de Franklin Leopoldo e Silva, Olgária Mattos, Vladimir Safatle, Sérgio Cardoso, entre outros, o projeto tem mais de 80 profissionais envolvidos na produção, informa a coluna Avant-première. Totalmente desenhado por Marilena, professora de filosofia da USP, a coleção será publicada pela Editora Bregantini. A previsão é que a tiragem seja de 300 mil exemplares por fascículo.

21/06/2009

o mar, as trevas, a peste, a fome, a bruxaria etc.

História do Medo no Ocidente
696 págs., R$ 31 de Jean Delumeau.
Tradução de Maria Lucia Machado. Companhia das Letras (r. Bandeira Paulista, 702, conjunto 32, CEP 04532-002, São Paulo, SP, tel. 0/ xx/11/ 3707-3500).
Neste estudo clássico, agora lançado em bolso, o medievalista e professor no Collège de France investiga os temores mais disseminados no Ocidente do século 14 ao 18 -o mar, as trevas, a peste, a fome, a bruxaria etc.

17/06/2009

Tratado da Natureza Humana

Obra essencial da filosofia moderna, Tratado da Natureza Humana ganha nova edição em português

Apresentação da editora:

David Hume é considerado, para pessoas como Bertrand Russell, o maior filosofo britânico de todos os tempos. O Tratado da Natureza Humana, publicado em 1739-1740, quando o autor contava com 27 anos, é uma das mais importantes obras da história da Filosofia ocidental. E ela ganha agora uma nova edição, em português, lançada pela Editora Unesp, acrescida de um inédito e extensivo índice remissivo, seja em relação à tradução brasileira anterior como também em relação às edições estrangeiras.

Dividida em três livros, a obra analisa de maneira cética e singular os princípios da natureza humana, aplicando aos problemas éticos e à filosofia moral o raciocínio experimental que Newton implantou no estudo da natureza física. Vemos como Hume – partindo da filosofia de Francis Bacon e do empirismo de John Locke – chega ao ceticismo, levando o empirismo a níveis altíssimos e fazendo a crítica da filosofia tradicional. É o estabelecimento deste novo conjunto de ideias que leva, por exemplo, Kant à formulação de sua filosofia (o autor alemão costumava dizer que Hume o despertou de seu “sonho dogmático”).

O Livro I aborda as percepções primordiais da mente humana, divididas em impressões e ideias. Segundo Hume, as impressões chegam à mente de maneira forte e violenta, como as sensações, paixões e emoções. Já as ideias são o reflexo e as imagens dessas impressões. O Livro II retrata as paixões, principalmente as dualidades orgulho-humildade, amor-ódio e vício e virtude. Após as reflexões, o pensador discorre sobre o livre-arbítrio e a curiosidade, chamada de amor à verdade e considerada a fonte de todas as investigações. E o Livro III trata da moral. Apesar de ser considerado pelo filósofo como independente dos outros tomos, esse trecho utiliza-se de toda a preparação efetuada anteriormente, discorrendo sobre os direitos civis, governos e sistemas internacionais, entre outros termos, relacionando a moral com o sentimento de prazer.

Sobre o autor – David Hume (1711-1776) foi um filósofo escocês da maior importância para o iluminismo.
Considerado um dos três maiores empiristas britânicos, juntamente com John Locke e George Berkeley, é autor de Ensaios morais, políticos e literários, Investigação sobre os princípios da moral, História natural da
religião e Investigações sobre o entendimento humano (os dois últimos já publicados pela Editora Unesp), entre outros. Suas reflexões influenciaram os pensadores Kant, Adam Smith e Auguste Comte, dentre diversos outros.

Título: Tratado da Natureza Humana
Autor: David Hume
Páginas: 760
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$ 90
ISBN: 978-85-7139-901-3
Data de publicação: 2009

Os livros da Fundação Editora da Unesp podem ser
adquiridos pelo site www.editoraunesp.com.br ou telefone
(11) 3242-7171. Ramal 417

14/06/2009

Associação Científica Condecora Religioso

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=23080

IHU 14/6/2009

Jesuíta recebe prêmio da maior associação de astronomia do mundo

No quarto centenário das observações lunares de Galileu Galilei (1564-1642), o padre americano George Coyne, conseguiu um feito memorável para um líder religioso: receber uma condecoração de uma associação científica. Tendo dirigido o Observatório do Vaticano por 28 anos, o matemático jesuíta com doutorado em astronomia foi julgado digno de receber o prêmio Van Biesbroeck, da AAS (Associação Americana de Astronomia), concedido àqueles que prestam “generosos serviços de longo prazo” à comunidade acadêmica de astrônomos. Além de ter criado um curso de verão que introduziu centenas de estudantes jovens na carreira de astronomia, Coyne foi o pesquisador que colocou o observatório numa condição de fazer pesquisa de ponta. Por meio de um convênio com a Universidade do Arizona, onde Coyne leciona, a instituição religiosa construiu um telescópio de primeira linha. Donna Wiestrop, astrônoma da AAS que coordena o prêmio Van Biesbroeck, diz que aparentemente esta é a primeira vez que a maior associação de astronomia do mundo premia um padre. Os “serviços prestados” por Coyne, porém, vão além de sua área de pesquisa. Ele escreveu livros e deu grande contribuição ao diálogo entre religião e ciência.Coyne também se meteu em controvérsias por defender a teoria da evolução de Darwin como a melhor explicação científica para a origem do Universo e dos sistemas vivos. Tal defesa colocou-o em choque contra um cardeal, ex-aluno do papa Bento 16, que advogava o design inteligente. Segundo a imprensa britânica, isso lhe custou o posto no observatório, em 2006. Coyne nega. Em entrevista à Folha de S.Paulo, 14-06-2009, por telefone de seu escritório em Tucson (EUA), ele explica como acredita que essa relação conturbada pode amadurecer.

Entrevista com GEORGE COYNE, SJ

Neste ano a ciência tal qual desenvolvida por Galileu completa quatro séculos. Em sua época, o cientista teve entreveros com a Igreja Católica, e isso parece estar acontecendo ainda hoje, nas igrejas cristãs de um modo geral. Alguma coisa amadureceu nesses 400 anos na relação entre ciência e religião, ou ela continua a mesma?

Há muito que pode ser dito sobre o período de Galileu até hoje. Durante esses 400 anos, muitas coisas mudaram na ciência e na igreja. Na época de Galileu, a ciência moderna, tal qual a conhecemos, ainda estava nascendo. Galileu foi um dos pioneiros, com Descartes, Kepler e depois Newton. Partamos desse princípio.
O que aconteceu em 400 anos ou mais foi que a ciência cresceu para se tornar um método muito bem definido de explorar o Universo. Mas é um método muito limitado. Ele busca causas naturais para eventos naturais, e ele foi muito bem sucedido em fazê-lo.

Veja a cosmologia do Big Bang, que é a melhor explicação para todas as observações que já fizemos durante esses 400 anos sobre o Universo. É a melhor explicação científica. Talvez amanhã ela sofra aprimoramentos. É assim que a ciência caminha. Além da cosmologia do Big Bang eu mencionaria a evolução neodarwinsta. É a melhor explicação que temos – se a estendermos para o Universo todo- para todos os processos físicos e biológicos. Ela se aplica diretamente a sistemas vivos, mas vamos estendê-la para o Universo e tudo o que há nele, incluindo nós mesmos.

Esses são apenas dois exemplos, entre muitos, mas acho que a maioria das pessoas concordaria que essas são duas das realizações mais significativas da ciência, desde o tempo de Galileu até hoje. Ainda assim, às vezes elas se encontram em grandes controvérsias. A razão pela qual isso ocorre é porque alguns cientistas pisam fora dos limites da ciência. A ciência, como tal, não pode provar a existência de Deus nem prová-la falsa usando sua própria metodologia. Repito: ela se limita a procurar explicações naturais para eventos naturais. E se existe um Deus -a natureza própria de um Deus-, isso está além da natureza.

A Igreja Católica só pediu perdão a Galileu no ano 2000, mas o Observatório do Vaticano é uma instituição bem mais antiga e já tinha começado a fazer astronomia com seriedade antes disso. Quando exatamente as autoridades católicas começaram a mudar de ideia com relação a Galileu?

Não existe uma data precisa. A igreja é como um ser vivo, que cresce e muda com o tempo, assim como qualquer outra instituição. E a mudança foi principalmente em duas áreas: a compreensão das escrituras pela igreja e a compreensão da ciência pela igreja.

Não sou historiador, mas sei que o entendimento da ciência pela igreja só veio a ocorrer do século 18 para o meio do século 19, quando a igreja finalmente removeu todos os livros relacionados ao copernicanismo do Index. Isso foi por volta de 1845. Até um século antes, houve muitas tentativas de correção por parte da igreja, removendo os livros de Copérnico do Index, mas isso nunca tinha sido feito de maneira completa.

A igreja levou tempo para se acomodar às mudanças. Você poderia perguntar quando surgiu a prova do copernicanismo. Mas o que é uma prova em ciência? Acho que você aceitaria como prova a descoberta da paralaxe e a descoberta da aberração da luz.

A paralaxe era explicada da melhor forma pela Terra dando voltas ao redor do Sol. E a aberração é explicada da melhor forma pela Terra circundando o Sol e girando em seu próprio eixo. A aberração da luz da luz das estrelas foi descoberta lá pelo meio do século 17, e a paralaxe, por volta de 1830.

Então, o entendimento da ciência por parte igreja cresceu, assim como a própria ciência cresceu, mas de modo lento. E, quando apareceu o darwinismo, a igreja novamente hesitou. Isso é por causa da compreensão da ciência. Ainda hoje a igreja está elaborando sua compreensão da ciência. O que a ciência faz? Ela não faz tudo. Ela é uma ferramenta muito limitada, mas muito poderosa.

E o que isso tem a ver com a compreensão das escrituras pela Igreja Católica?

Um dos grandes problemas na época de Galileu é que a igreja disse que o copernicanismo era claramente contraditório com as escrituras, que em muitos trechos afirmam ou implicam que o Sol esteja se movendo. Mesmo hoje dizemos “o Sol se levanta” e “o Sol se põe”. É modo de falar, mas a igreja encarava isso como se a escritura estivesse ensinando ciência. A igreja, depois de quatro séculos, se deu conta de que isso está errado.

Uma grande realização dentro da igreja foi a encíclica “Providentissimus Deus“, de Leão 13, que começou a ensinar aquilo que a igreja defende hoje: você deve interpretar as escrituras de acordo com a técnica literária. Você não pode interpretá-las literalmente. E além disso: não há nenhuma ciência nas escrituras. As escrituras começaram a ser compostas por volta de 5.000 a.C., com o patriarca Abraão, até cerca de 200 d.C., mais ou menos. A ciência moderna começou a existir entre os séculos 16 e 17. Como poderia haver alguma ciência nas escrituras? Há uma separação de pelo menos 1.500 anos entre a redação final das escrituras e a ciência moderna. Então, não há nenhuma ciência nas escrituras. Zero. E qualquer um que quiser usar as escrituras de modo científico incorrerá em erros.

Pouca gente esperava que o Vaticano fosse se desculpar pelo episódio de Galileu, muito menos quatro séculos depois, em 2000, com João Paulo 2º. Por que isso foi decidido naquele momento?

Ele sabia que seria um gesto importante. E a razão disso data de muito antes. Antes de ele se tornar papa, quando era cardeal-arcebispo de Cracóvia, ele costumava promover encontros de cientistas, filósofos e teólogos. Ele tinha entusiasmo pelo diálogo entre a cultura científica e a religiosa.

Quando ele se tornou papa, ele se deu conta de que o caso de Galileu, nas palavras dele próprio, ainda era um mito. O mito de que, por causa da controvérsia com Galileu, havia um conflito intrínseco entre a crença religiosa e a ciência. E ele queria acabar com isso. Então, uma das coisas que fez, em um dos primeiros anos de seu papado, foi indicar que ele queria estabelecer uma comissão para tratar disso. Ele foi muito dedicado em estabelecer um diálogo entre a igreja e a ciência e se livrar de coisas negativas do passado. Uma das principais, claro, era Galileu.

A controvérsia envolvendo o darwinismo é em grande parte restrita a países com grande contingente protestante, mas não se ouve falar muito da posição do Vaticano.

Não há documento oficial. Não uma declaração oficial a respeito de evolução e design inteligente. É isso, ponto. Há alguns integrantes da igreja que estão discutindo o assunto. Alguns estão discutindo de maneira inteligente, outros não, porque não entendem o que a ciência é nem o que a evolução representa como explicação científica. João Paulo 2º,em uma mensagem para a Pontifícia Academia de Ciências, disse que a evolução “não é mais uma mera hipótese”. Disse que a paleontologia, a geologia, a biologia, a química e a cosmologia, todas convergem no sentido de que a evolução é a melhor teoria científica que temos hoje. O papa Bento 16 ainda não deu declarações de alta importância sobre isso.

Quando o sr. deixou a direção do Observatório do Vaticano em 2006, depois de 28 anos de trabalho, alguns jornais disseram que o papa Bento 16 teria lhe pedido a renúncia por causa de suas críticas ao design inteligente. Isso é verdade?

Não, absolutamente. E não digo isso para me defender, mas para defender a verdade. Eu já tinha pedido renúncia voluntariamente por quatro vezes durante minha gestão. Apesar de amar meu emprego, eu francamente acho que a direção de uma instituição científica precisa sempre de sangue novo. Quando eu completei oito anos na direção, pedi demissão, quando completei 16 anos, pedi de novo, e depois de 24, mais uma vez. Quando pedi após 28 anos na diretoria, eles finalmente a aceitaram.

Fora isso, o papa Bento nunca falou da evolução de maneira negativa e nunca apoiou ou rejeitou o design inteligente. Depende de o que você considera design inteligente. Se você considera que é uma explicação científica, está errado. Não é. Para começar, não conseguimos detectar inteligência pelo método científico. Não conseguimos encontrar o design inteligente na ciência. Agora, a fé pode me ensinar que tudo isso foi projetado de maneira inteligente, e eu acredito nisso, mas não consigo descobrir isso como cientista.

E uma coisa não está em contradição com a outra. Na verdade, se eu acreditar em Deus, o Universo em evolução me diz um bocado sobre Deus como criador inteligente. Ele criou um Universo que não é uma máquina de lavar, nem um carro, nem um relógio. Ele criou um Universo que tem um dinamismo e uma criatividade próprios. É um “se” importante.

Como foi sua carreira? Por que o sr. veio a se interessar tanto por ciência quanto por religião?

Eu entrei para o seminário como jesuíta aos 18 anos, em 1951. Fiz meus estudos espirituais, meu noviciado, onde estudei história antiga e literaturas latina e grega por dois anos. Também estudei filosofia por três anos, e durante esse tempo conclui minha graduação em matemática. No fim desse período, ainda como seminarista, fui enviado para um doutorado em astronomia e astrofísica. Quando terminei, depois de cinco anos, fui estudar teologia. Depois fui ordenado padre. E, então, comecei minha carreira pesquisando astronomia na Universidade do Arizona. Tudo foi meio emaranhado, e sou feliz com isso.

Não vejo nenhum conflito na minha vida em ser padre e cientista. Acho que ambos complementam um ao outro. Não sou um cérebro ambulante. Sou uma pessoa. E, como todas as pessoas tenho experiências em minha vida: experiências de fé, experiências de amizade… todos nós temos essas emoções. Temos partes das nossas vidas que tentamos integrar. Isso é o que torna a vida interessante.

O fato de ser jesuíta o influenciou, já que a Companhia de Jesus tem uma tradição em se relacionar com a Academia?

Sim. É uma longa tradição. Após 30 anos da fundação da Companhia de Jesus, em 1540, nós tínhamos um grupo renomado de matemáticos e astrônomos no Colégio Romano, e alguns deles foram contemporâneos de Galileu. Foram os precursores do observatório, e trabalharam para a reforma do calendário. Esses jesuítas foram os primeiros a corroborar as observações telescópicas de Galileu, que foram, claro, o começo da ciência moderna. Nós [jesuítas] realmente temos uma longa tradição de cientistas, mas ela não é exclusiva.Mendel, o pai da genética, era um agostiniano.

O sr. já enfrentou algum tipo de preconceito no meio científico por ser padre?

Nunca. E trabalhei durante toda a minha carreira como cientista na universidade estadual, que não era um seminário nem uma universidade de afiliação religiosa. Sempre fui muito bem recebido lá, colaborei com pessoas lá em minha pesquisa. Colaborei com pessoas na Finlândia e até no Brasil, na Universidade de São Paulo. Faz tempo que não vou para aí, mas em algumas vezes passei vários meses em São Paulo e no Rio. “Falo um pouco de português brasileiro [falando em português].”

O sr. pretende vir ao Rio neste ano para o encontro da União Astronômica Internacional?

Eu espero conseguir ir. Tenho alguns problemas para resolver, mas acho que conseguirei fazer isso a tempo.

O sr. foi premiado pela AAS, em grande parte por conta dos cursos de verão no Vaticano. O que era esse programa?

Antes de começarmos as escolas de verão, éramos apenas um instituto de pesquisa. Alguns de nós ensinávamos -como eu, no Arizona-, mas isso era pessoal. Não tinha nada a ver com o Observatório do Vaticano. E nós colaborávamos com astrônomos ao redor do mundo. Nós nunca conseguíamos nos relacionar com astrônomos jovens, estudantes. Mas também não podíamos transformar o observatório em um instituição de ensino.

Então, resolvemos criar esse tipo especial de evento, uma escola de verão de um mês em astrofísica, para o qual convidaríamos astrônomos jovens de todo o mundo. Tivemos apoio de nossos superiores no Vaticano para isso, em particular do papa João Paulo 2º, e o projeto deu certo. Chegamos a 11 edições, para onde levamos ao todo 275 jovens do mundo todo, de 22 países, sendo 62% de países em desenvolvimento. As mulheres eram 48%.

O que o sr. tem pesquisado ultimamente?

Eu não tenho sido muito ativo em pesquisa agora porque tenho um trabalho em tempo integral, que é levantar fundos para financiar o nosso telescópio. Mas, quando vim para o Arizona, eu trabalhei com raios e partículas interestelares. Eu trabalhei por muitos anos em estudos de polarização, em meio interestelar, em estrelas com atmosferas estendidas e até em alguns tipos de galáxias. Os estudos de polarização nos ajudam a entender a geometria dos sistemas.

O telescópio com o qual o sr. trabalha foi uma iniciativa do Observatório do Vaticano, não?

Sim. Nos foi oferecida a opção de nos unirmos à Universidade do Arizona quando ela estava começando a trabalhar em uma nova tecnologia de espelhos de telescópios. O primeiro espelho que eles produziram foi o do nosso. Colaboramos no desenvolvimento dessa tecnologia, e nosso telescópio foi o tubo de ensaio dela. E deu tão certo que agora temos como vizinho o maior telescópio do mundo usando essa tecnologia com dois espelhos de oito metros de diâmetro

13/06/2009

De Volta ao Passado

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=23073

IHU 13/6/2009

MP 458

Se a medida provisória 458 for sancionada pelo presidente da República, na forma como saiu do Congresso Nacional, estaremos diante de uma volta ao passado. Uma área maior do que o Estado da Bahia será doada a particulares sem cuidados que garantam condições mínimas de justiça, progresso e sustentabilidade.  A afirmação é de Cesar Benjamin em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 13-6-2009.

por CESAR BENJAMIN

A história da propriedade da terra sintetiza uma parte importante da história do Brasil. Com a Independência, em 1822, caducaram as ordenações portuguesas que organizavam o sistema jurídico colonial. Nossa primeira Assembleia Constituinte, reunida no ano seguinte, não legislou sobre a terra, que se tornou um bem livre, mas nem por isso acessível. Mantida a escravidão, só os senhores podiam exercer a prerrogativa da propriedade.

A aproximação da Abolição colocou na ordem do dia um problema grave: quando os escravos fossem libertados, como se conseguiria mantê-los trabalhando nas grandes fazendas, sedes do poder oligárquico, se o país era despovoado e a terra era livre? Surgiu daí a nossa primeira Lei de Terras, em 1850. O acesso legal à propriedade fundiária passou a depender de doações da Coroa, seguidas de operações de compra e venda.
Os fazendeiros da época ganharam o direito de legalizar propriedades por meio de simples declaração, registrando nas paróquias locais os limites das terras que consideravam suas. Formaram-se assim gigantescos latifúndios, marca registrada da nossa história.

Quando a terra era livre, os trabalhadores eram escravos; quando se aproximava o dia em que eles seriam livres, ela foi aprisionada. Assim, na segunda metade do século 19, permeando Império e República, o Brasil resolveu a questão da escravidão e ao mesmo tempo criou a questão agrária, a qual, jamais resolvida, desdobrou-se na questão urbana atual.

Primeiro nas senzalas, depois nos latifúndios e agora nas favelas ou periferias, sempre o mesmo pano de fundo: multidões sem direitos. Dada a enormidade do país, grande parte do território permaneceu na condição de terra pública até recentemente. Muitos pensadores brasileiros do século 20 imaginaram que o grau de concentração da propriedade rural diminuiria à medida que posseiros se espalhassem pelas áreas de fronteira agrícola que permaneciam em gradativa expansão.

Não foi o que ocorreu. Com a cumplicidade de sucessivos governos federais e estaduais, por meio da grilagem e da violência, por doações ou por compra a preço simbólico, implantou-se nessas áreas novas -especialmente o Centro-Oeste, a Amazônia meridional e o cerrado setentrional- uma estrutura agrária ainda mais concentrada do que aquela que predomina nas áreas de ocupação secular, com óbvias repercussões sobre o tipo de agricultura que praticamos.

A história se repete na Amazônia, a última fronteira. Se a medida provisória 458 for sancionada pelo presidente da República, na forma como saiu do Congresso Nacional, estaremos diante de uma volta ao passado. Uma área maior do que o Estado da Bahia será doada a particulares sem cuidados que garantam condições mínimas de justiça, progresso e sustentabilidade.

Grandes e médios proprietários ficarão com mais de 70% das terras que hoje são públicas. Um grileiro ou uma empresa que tenham 50 prepostos poderão legalizar, praticamente de graça, latifúndios de 75 mil hectares, mesmo que já possuam outras propriedades rurais. Com cem prepostos, reais ou fictícios, a área dobrará. Por persuasão ou por coação dos pequenos, em uma região em que o Estado é ausente e falha a cobertura da lei, estará aberto o caminho para um aumento desenfreado da concentração fundiária.

A Amazônia é uma região frágil, onde se chocam interesses nacionais e internacionais, sem que Estado e sociedade tenham sido capazes de definir e implementar um projeto coerente de desenvolvimento. É um dos grandes desafios para o nosso futuro, talvez o maior de todos. Repetir o que foi feito em 1850 não é a melhor decisão.

11/06/2009

Sigilo Não Ajuda

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=22629

IHU 27/5/2009

Incidente Radioativo na Usina Nuclear Angra 2

Onze dias após um vazamento de partículas radioativas na usina nuclear Angra 2, a Eletronuclear e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmaram ontem o acidente, que foi divulgado inicialmente por uma organização não-governamental de Angra dos Reis. Segundo a Eletronuclear, o vazamento ocorreu no dia 15 dentro de uma câmara de descontaminação e ficou restrito à área controlada da usina. A reportagem é de Cláudia Schüffner e publicada pelo jornal Valor, 27-5-2009.

O incidente provocou contaminação leve nas roupas, pantufas, mãos e rostos de quatro funcionários, segundo o relatório de atividades do serviço de inspeção da CNEN em Angra ao qual o Valor teve acesso.

Três funcionários foram levados para o Centro de Medicina das Radiações Ionisantes (CRMI), onde passaram por um processo de descontaminação. A CNEN informou, em nota, que os quatro trabalhadores “foram contaminados em níveis abaixo de 0,1% dos limites estabelecidos em norma para os trabalhadores”.

O superintendente de proteção radiológica da Eletronuclear, João Carlos da Cunha Bastos, explicou que houve um Evento Não Usual (ENU) e que o incidente foi notificado aos órgãos competentes. O limite fixado pela legislação como aceitável em caso de contaminação nuclear é 10 mil vezes superior ao registrado em Angra 2. No ano passado, a Eletronuclear registrou três ENUs, mesmo número de eventos verificados
até agora este ano.

Rafael Ribeiro, diretor da Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê), uma das mais combativas contra a geração de energia nuclear, disse que soube do acidente “na rua” em Angra dos Reis e que não conseguiu obter informações adicionais de nenhuma autoridade na cidade, seja na usina ou na CNEN.
“Veja como a questão é importante e as informações são travadas. O dia que tivermos um problema grave terão que ser vencidas muitas barreiras para podermos agir”, observaRibeiro.

Bastos, da Eletronuclear, disse que a contaminação foi provocada pela falha de um funcionário não terceirizado da usina, que trabalha na empresa desde 1996. Ele entrou na câmara de descontaminação que fica dentro de uma oficina mecânica conhecida como “oficina quente” no edifício auxiliar do reator e onde são manipuladas peças contaminadas.

O funcionário, que foi punido e vai passar por um novo treinamento, entrou no local, mas não fechou a porta e nem ligou o sistema de exaustão. Com isso, o material contaminado (aerosol) entrou no sistema de ventilação, sendo detectado pelos sensores de uma chaminé de descarga de gases, que disparou um alarme. “Houve o espalhamento de uma contaminação, mas que ficou restrito às áreas controladas de Angra 2“, frisou Bastos. Segundo ele, o funcionário punido “entendeu que cometeu uma falha grosseira e inadmissível”.

Rogério Gomes, da Associação dos Fiscais de Radioproteção e Segurança Nuclear, não vê falha humana no ocorrido e sim falha de procedimento. “É preciso que haja procedimentos para evitar que um erro cometido gere um incidente maior. E essa cultura de que é tudo sigiloso na área nuclear não ajuda”, avalia Gomes, que critica o fato de a CNEN atuar como fiscalizadora e reguladoras das atividades nucleares ao mesmo tempo em que precisar promover e incentivar essa indústria.

Rafael Ribeiro, da Sapê, defende mudanças no sistema de informações sobre incidentes nas instalações nucleares aproveitando as discussões sobre a construção da terceira usina nuclear na cidade.

“Há anos estamos propondo a criação de um controle social sobre a operação das usinas, formado por organizações sociais, executivos e legislativo municipal. A medida serviria para dar maior controle social, mais segurança à população e confiabilidade às usinas. Mas a medida não combina com as práticas autoritárias da indústria nuclear”, afirma Ribeiro. “O que nos daria maior segurança e menos aflição é ter um sistema no qual a gente confie.”

Para ler mais:

11/06/2009

“o maior problema da educação básica no Brasil”

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1106200901.htm

FSP, 11-6-09

Ensino medíocre

O ENSINO médio no Brasil está numa encruzilhada. O processo de universalização desse nível de escolaridade, qualificação indispensável para a correta inserção do país na economia do conhecimento, estagnou-se após um crescimento contínuo na década de 1990. Estão na escola 98% das crianças de 7 a 14 anos, a faixa etária do ensino fundamental, mas só 82% dos jovens de 15 a 17, a mesma parcela desde 2001.

A comparação com os poucos avanços no ensino fundamental é desfavorável ao nível médio em vários aspectos. Apenas a taxa de reprovação é similar (12,1% e 12,7%, respectivamente), mas o dado de 2007 -destacado na Folha de ontem com base em relatório da Unicef, órgão das Nações Unidas para a infância- dobrou, no caso dos adolescentes, em relação aos 6,3% verificados em 1998.

Mostra-se ainda preocupante a taxa de abandono do ensino médio. Embora tenha caído um pouco entre 2006 e 2007, é quase três vezes maior (13,2%) que no fundamental. Resumo da crise: poucos jovens chegam ao secundário, muitos não conseguem passar de ano e boa parte deixa a escola para trabalhar ou por simples desalento. Não espanta que o país tenha desempenho medíocre nos exames internacionais de avaliação.

Existe algum consenso sobre os fatores concorrentes para tal desastre. Absenteísmo e falta de qualificação de professores, equipamentos inadequados ou inexistentes, estudantes desmotivados com aulas que nem preparam para o vestibular nem para o trabalho, necessidade de obter um emprego -não faltam razões para afugentar jovens.

Diante desse quadro, não bastam medidas tímidas ou experimentos pedagógicos como a mudança curricular proposta pelo Ministério da Educação. É urgente ir muito mais fundo.

Recursos, em princípio, não faltam, agora que o fundo nacional de educação abrange também o ensino médio e viu sua dotação federal saltar de R$ 2 bilhões para R$ 4,5 bilhões em dois anos. Falta é uma medida ousada, como estender a obrigatoriedade para todo o ensino básico, até a terceira série do nível médio. Nada menos que um compromisso nacional nessa direção dará conta da tarefa.

11/06/2009

Direito Fundamental

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1106200909.htm

FSP. 11-6-09

INTERNET

Lei antipirataria francesa é considerada inconstitucional

O Conselho Constitucional da França considerou inválido o principal dispositivo da nova lei sobre internet que pretendia banir da rede quem fosse acusado de fazer downloads ilegais. De acordo com a maioria dos membros do conselho, apenas um juiz -e não uma autoridade administrativa- pode determinar a exclusão de uma pessoa da internet.

Com essa decisão, a lei, que se afigurava como uma das mais rígidas da Europa na defesa dos direitos autorais, fica bastante enfraquecida. O governo ainda não decidiu se vai submeter uma nova proposta para tentar disciplinar o vácuo criado pelo veto.

O conselho considerou que o acesso à internet é um direito fundamental, que não pode ser limitado senão por decisão judicial, sob pena de pôr a perder o princípio de presunção da inocência. Segundo o órgão, “o papel da Hadopi [a polícia cibernética prevista pela lei] é o de advertir o internauta, mas não puni-lo”.

O Conselho Constitucional exerce controle constitucional sobre as leis, mas não faz parte do Poder Judiciário. Três de seus membros são indicados pelo presidente da República, três pelo presidente da Assembleia Nacional e três pelo presidente do Senado. Ex-presidentes da República que o desejarem se tornam membros vitalícios.

O conselho só pode revisar leis quando provocado e entre a aprovação pelo Legislativo e a sanção presidencial. No caso, o pedido de veto partiu do Partido Socialista, de oposição.