20/11/2009

Unicef – 20 Anos da Convenção dos Direitos da Criança

20/11/2009

Links científicos

20/11/2009

Combate à exclusão racional

http://www.agencia.fapesp.br/materia/11013/combate-a-exclusao-racional.htm

3/9/2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Pensar criticamente – isto é, ser capaz de reconhecer e formular bons argumentos – é uma prática fundamental para o exercício pleno da cidadania e da democracia. Mas, apesar de ser uma necessidade tão universal, a intimidade com a boa argumentação não é uma realidade para grande parte da população, que, por conta disso, fica exposta a todo tipo de falácias e argumentação enganosa.

Com a finalidade de combater essa “exclusão racional”, acaba de ser lançado o livroPensamento crítico – O poder da lógica e da argumentação , de Walter Carnielli e Richard Epstein. Segundo os autores, a obra tem como objetivo servir de guia para a boa argumentação e, ao mesmo tempo, de instrumento de “autodefesa intelectual contra as falácias do mundo contemporâneo”.

Carnielli, professor do Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da mesma universidade, e Epstein, diretor do Advanced Reasoning Fórum no Novo México, Estados Unidos, também escreveram em conjunto a obra Computabilidade, funções computáveis, lógica e os fundamentos da matemática , que em 2007 foi um dos ganhadores do Prêmio Jabuti, na categoria Ciência Exatas, Tecnologia e Informática.

Os dois livros são produtos do Projeto Temático “Consequência lógica e combinação de lógicas – Fundamentos e aplicações eficientes”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Carnielli. De acordo com o professor, Pensamento crítico se baseou na obra Critical thinking (2001), escrita por Epstein com sua assistência e colaboração, que se tornou umbest-seller nos Estados Unidos. A colaboração entre os dois autores é intensa há mais de 25 anos.

Segundo Carnielli, um dos diferenciais da obra é abordar o pensamento crítico de maneira fundamentada, diferentemente de outras obras que tratam o tema, em geral, como retórica e técnica de argumentação, sem base sólida na lógica.

“Nosso livro é um guia da arte de pensar criticamente a partir de bases lógicas. Ele preenche uma lacuna, uma vez que em línguas latinas não há praticamente nada sobre o assunto e, mesmo nos Estados Unidos, não há um livro que trate do pensamento crítico de maneira fundamentada, sistemática e ao mesmo tempo voltada para o grande público”, disse Carnielli à Agência FAPESP .

Segundo ele, o livro é dirigido a um público amplo com o objetivo de contribuir com o acesso à cidadania. “Da mesma forma que falamos em exclusão digital, podemos falar hoje em exclusão racional, ou exclusão argumentativa. Se a pessoa não tem acesso às bases da boa argumentação, será facilmente enganada”, disse.

Carnielli indica como um dos destaques da obra o fato de sua análise não se limitar a argumentos válidos ou inválidos, mas se estender também às noções de bons argumentos e de argumentos fortes. Segundo ele, os bons argumentos e os argumentos fortes – ou "tão bons quanto possível" – são aqueles argumentos sólidos que as pessoas gostam de ouvir e querem saber usar.

“Apresentamos, de forma sistematizada, uma teoria da argumentação com bases sólidas na lógica contemporânea – passando também pela teoria clássica da argumentação, partindo de Aristóteles e levando em conta todo o desenvolvimento posterior da lógica – com bases claras e simples”, explicou.

Ao aproximar argumentação e lógica, a obra adquire uma grande amplitude de aplicações práticas, úteis para vestibulares, concursos públicos, exames de todo tipo e práticas profissionais de jornalistas, professores, advogados, juízes, políticos, médicos e cientistas, por exemplo. “O livro pode ser utilizado por um público que vai de estudantes de colégios a parlamentares”, disse.

Jiu-jitsu da argumentação

O uso de exemplos cotidianos e de ilustrações bem-humoradas (incluindo diversas tiras) são destaques da obra que contribuem para aumentar a proximidade do pensamento crítico com a realidade dos leitores. “Embora tenhamos mantido a estrutura conceitual da edição norte-americana, a versão brasileira foi completamente refeita, com o uso de exemplos do cenário público nacional, incluindo política, televisão, jornalismo e cartoons”, disse Carnielli.

O livro é dividido em quatro partes principais: “As bases fundamentais”, “A estrutura dos argumentos”, “Como evitar os maus argumentos” e “Argumentos com base na experiência”.

A primeira parte trata de definir o que é o pensamento crítico, o que são frases vagas e ambíguas, o que são bons argumentos, quais os princípios da discussão racional, os critérios básicos para rejeitar ou aceitar afirmações e a diferença entre plausibilidade e verdade.

A segunda parte explica o que são as afirmações compostas, os argumentos complexos e as generalidades – ensina, em resumo, como compor bons argumentos. Já a terceira parte ensina a detectar maus argumentos: afirmações ocultas, apelos emocionais e falácias estruturais ou falácias de conteúdo.

A quarta parte, além de fazer um inventário de falácias, devidamente classificadas, ensina a boa utilização de analogias e generalizações, entre outras. Um dos capítulos finais é reservado aos elementos da semântica da lógica proposicional propriamente dita, embora rudimentos da lógica de predicados permeiem o livro todo, na medida em que se fazem necessários.

“Podemos dizer que se trata aqui de um ‘jiu-jitsu da argumentação’. A ideia é instrumentalizar o leitor para se defender das falácias. Nas duas últimas partes tratamos de mostrar, por exemplo, como enganar com números e estatísticas, como usar a falsa precisão e falsos positivos e como deturpar gráficos e médias. Fazemos também uma relação das falácias famosas – incluindo a lista negra das falácias mais perigosas”, explicou o professor da Unicamp.

O livro levou cerca de sete anos para ser feito. “Escrever em linguagem simples é mais difícil e demorado do que se expressar por símbolos lógicos e fórmulas matemáticas. Mas isso era necessário para que o livro fosse acessível e cumprisse sua missão”, disse.

Segundo Carnielli, o pensamento crítico traz grandes vantagens competitivas no mundo contemporâneo, no qual todos são submetidos a pressões de argumentos falaciosos que inundam a internet, a publicidade e o jornalismo, por exemplo. Além disso, ele garante uma orientação racional para que se possa tomar posição sobre os debates sociais polêmicos, que passam por temas como aborto, criacionismo ou direitos humanos.

“Todos esses temas estão presentes no livro. O conhecimento da boa argumentação permite que tomemos decisões melhores e que possamos lutar por nossos direitos em todos os campos. Podemos usar o pensamento crítico para avaliar e-mails maliciosos, boatos e notícias falsas, ou para desmascarar, sob um discurso aparentemente coerente, a superstição e o obscurantismo”, destacou.

  • Pensamento crítico – O poder da lógica e da argumentação
    Autores: Walter Carnielli e Richard Epstein
    Lançamento: 2009
    Preço: R$ 34

19/11/2009

40 anos

O difícil não é fazer mil gols como Pelé. O difícil é fazer um gol como Pelé. (Carlos Drummond de Andrade)

18/11/2009

Depressão será a doença mais comum

http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/depressao_sera_a_doenca_mais_comum_do_planeta_em_2030.html

Mente e Cérebro, 17-11-2009

Pobres são os mais atingidos pelo transtorno; stress deflagra crises

Nos próximos 20 anos, a depressão deverá afetar mais pessoas que qualquer outro problema de saúde, inclusive as doenças cardiovasculares e o câncer. A estimativa é da Organização Mundial de Saúde (OMS). A entidade alerta também para os custos econômicos e sociais e para a diminuição da produtividade resultantes dos gastos com tratamento. Países pobres, onde já se registram mais casos de depressão que os desenvolvidos, serão os mais afetados nas próximas décadas. “A patologia tem diversas causas, algumas biológicas, mas parte delas vem de pressões ambientais e, obviamente, as pessoas pobres sofrem mais stress no dia a dia que as ricas, e não é surpreendente que tenham mais depressão”, disse o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS, na primeira Cúpula Global de Saúde Mental, em Atenas, na Grécia. Segundo ele, não devemos considerar que haja uma epidemia silenciosa, porque a depressão vem sendo cada vez mais diagnosticada. “Mas as pessoas têm o direito de ser aconselhadas e tratadas como em qualquer outro distúrbio, e é preciso mudar a mentalidade em relação à doença”, ressalta o médico.

18/11/2009

“A cruz não é uma ofensa”

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27615

Passa por ser o ‘enfant terrible’ da Igreja católica. Mas, neste casp, Hans Küng, está de acordo com ela, ao menos em parte. O teólogo suíço, uma das vozes mais prestigiosas do catolicismo, critica a recente sentença de Estrasburgo contra a presença da cruz nas escolas públicas. Na sua opinião, “a Corte europeia não pode legislar sobre essas questões, porque é atribuição própria dos Estados legislar sobre esta matéria”. Porque, para os europeus, a cruz nas escolas “não é uma ofensa”, e querer eliminá-la é sinal de um “radicalismo laicista”. A reportagem é de José Manuel Vidal e está publicada no sítio espanhol Periodista Digital, 16-11-2009. A tradução é do Cepat.

Em uma entrevista a Francesco Comina da revista italiana Il Fatto Quotidiano, o teólogo suíço assegura que “a cruz é essencial no cristianismo, é uma espécie de vida, de esperança e de alegria”. Mas, imediatamente depois reconhece que, ao longo da História, “foi brandida como arma e utilizada como um instrumento de condenação dos hereges. Nem sempre foi um sinal de bênção”.

Daí que também compreenda aqueles que “manifestam dúvidas ou aversão em relação à cruz exposta nas escolas”. De qualquer forma, para Küng, a solução para o problema dos crucifixos em lugares públicos não passa “pelo radicalismo laicista”.

Com a mesma liberdade com que defende a cruz, o teólogo critica o Papa, seu antigo companheiro na Universidade de Tubingen. E, enquanto Bento XVI pronunciava hoje mesmo [ontem] um discurso na FAO em chave moral, o professor Küng aponta soluções concretas. “O problema da fome se combate com uma política de controle de nascimentos. A pílula é um instrumento eficaz para evitar o colapso da população. A Igreja católica não pode seguir demonizando os métodos anticoncepcionais”.

Também não compartilha a postura do catolicismo sobre a eutanásia. Na sua opinião, “a responsabilidade individual é algo que também é preciso levar em conta no que chamamos de ‘dignidade de morrer’”. E acrescenta: “É uma questão delicada, porque se entrelaça com um elemento existencial e profundo, que pode ser sintetizado assim: ‘como quero morrer?’. Mors certa, hora incerta. Sabemos que chegará a morte, mas não sabemos quando”. E conclui: “Sobre estes temas as ideologias são perniciosas”.

Contrariamente ao Vaticano, Küng sustenta que a Igreja católica não pode se apresentar como se fosse “a única Igreja perfeita”, e reprova no Papa a sua atitude de “defesa do status quo” diante de alguns dos problemas centrais eclesiais, como “o papel da mulher, dos leigos ou o celibato dos padres”. E sentencia: “Creio que Jesus teria sérias dificuldades para entender o aparelho eclesiástico atual”.

Para ler mais:

18/11/2009

A obra científica do poeta Goethe

http://galileu.globo.com/edic/100/con_goethe1.htm

Revista Galileu

Considerado um dos maiores mestres da literatura, ele também fez ciência, com idéias que até hoje são ousadas

por JOSÉ TADEU ARANTES
E-mail: jtadeu

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Goethe retratado por H.W. Tischbein, em 1787

A natureza às vezes se excede. E reúne, num só homem, uma quantidade de talento capaz de suprir um século inteiro. Foi o que fez com o alemão Johann Wolfgang Goethe (1749-1832). É pelo valor de sua obra literária que o mundo está comemorando os 250 anos de seu nascimento. De fato, com apenas 25 anos, a publicação do romance Os Sofrimentos do Jovem Werther já havia feito dele uma celebridade internacional. A conclusão da primeira parte do Fausto, aos 41, consagrou definitivamente seu nome como um dos maiores poetas e dramaturgos de todos os tempos. O que raramente se diz é que, tanto quanto poeta, Goethe foi também cientista. E ele próprio chegou a dar mais importância às suas investigações da natureza do que à criação literária.

Goethe realizou pesquisas em campos tão variados como a óptica, a geologia, a mineralogia, a botânica e a zoologia. Fez descobertas importantes, como a do osso intermaxilar no crânio humano. E elaborou uma teoria das cores alternativa à do grande físico inglês Isaac Newton (1642-1727). Mais significativa do que essas realizações isoladas, porém, foi sua visão da natureza. Divergindo das idéias científicas da época, Goethe a concebeu como uma totalidade orgânica e viva, em profunda conexão com o mundo espiritual, e não um mecanismo frio e sem alma, constituído apenas por matéria em movimento.

Idéias atuais
Num momento em que a ciência busca novos paradigmas, é essa visão da natureza que torna o pensamento de Goethe tão atual. Ela o levou a considerar o crânio como um desenvolvimento das vértebras. E a ver todos os órgãos vegetais como metamorfoses do princípio espiritual expresso pela folha. Essas concepções ousadas foram tratadas com incompreensão e desprezo pela corrente dominante na ciência. E só foram resgatadas, quase um século mais tarde, graças ao trabalho de Rudolf Steiner (1861-1925), o criador da antroposofia.

Em 1882, com apenas 21 anos de idade, Steiner foi convidado a editar os escritos científicos de Goethe. Ele os reuniu em cinco livros, que abordam uma grande variedade de temas. As introduções que redigiu – de uma profundidade filosófica espantosa para um autor tão jovem – fazem aquilo que o próprio Goethe sempre evitou: pensar sobre o pensamento. Elas explicitam uma visão de mundo que nos escritos goethianos permanecem implícitos, e nos permitem captar suas linhas mestras.

Nos vários domínios da realidade, Goethe trabalha com dois conceitos básicos: arquétipo e metamorfose. São os arquétipos ou idéias universais que conferem coerência à natureza. É a metamorfose desses princípios espirituais que produz toda a multiplicidade de formas individuais encontradas no mundo.

O conceito de arquétipo presente na obra de Goethe é idêntico ao do filósofo grego Platão (427-347 a.C.) e de seus sucessores neoplatônicos (séculos 3 a 6 d.C.). Trata-se de um ente espiritual, que precede e serve de modelo para os objetos materiais. O arquétipo é uma idéia. Mas não uma idéia produzida pela mente humana. Ele é – antes – uma realidade absoluta, que existe por si mesma. Ou – se preferirmos nos expressar desta maneira – uma idéia produzida pela mente de Deus. Os objetos materiais são realizações parciais da idéia arquetípica no mundo físico. Parciais porque, ao realizar-se objetivamente, o arquétipo sofre as limitações impostas pelo ambiente que encontra. E se metamorfoseia, de acordo com as circunstâncias.

O osso intermaxilar
No campo da anatomia comparada, a mais famosa descoberta de Goethe foi a do osso intermaxilar no ser humano. Esse osso, no qual estão incrustados os dentes incisivos superiores, é bastante destacado nos demais mamíferos. Mas, no homem, encontra-se de tal forma soldado ao maxilar que a diferenciação é praticamente impossível. Goethe achava, porém, que ele tinha que existir. "Isso fazia parte de sua concepção geral da natureza", explica Hendrik Ens. "Ele considerava que havia, sim, uma diferença fundamental entre o homem e os animais superiores. Mas essa diferença era de ordem anímica e espiritual.

Do ponto de vista da arquitetura do corpo físico, Goethe acreditava numa linha
de continuidade, que permitia apenas pequenas variações e especializações." Essa opinião acabou se confirmando, quando, no crânio de um indivíduo doente, ele descobriu um exemplar do osso intermaxilar, que se apresentava bastante separado do próprio maxilar.

Surge o crânio
Vejamos como o próprio Goethe utiliza esse conceito para estabelecer a relação entre o crânio e as vértebras: "O cérebro representa somente uma massa da medula espinhal aperfeiçoada ao máximo grau", escreveu ele em 1789. "Na medula terminam e começam os nervos que estão a serviço das funções orgânicas, ao passo que no cérebro terminam e começam os nervos que servem às funções superiores, principalmente os nervos dos sentidos. No cérebro surge desenvolvido aquilo que está indicado como possibilidade na medula espinhal." E continua: "O cérebro é uma medula perfeitamente desenvolvida, ao passo que a medula espinhal é um cérebro que ainda não chegou ao pleno desenvolvimento. Ora, as vértebras da coluna contornam, como um molde, as várias partes da medula, servindo-lhe como órgãos envoltórios. Parece então altamente provável que, se o cérebro é uma medula espinhal elevada ao máximo grau, também os ossos que o envolvem sejam vértebras altamente desenvolvidas".

Em outras palavras, as diversas vértebras da coluna seriam manifestações de um princípio espiritual, de uma idéia arquetípica. "De vértebra a vértebra, no sentido ascendente, esse mesmo princípio vai se metamorfoseando, sendo representado por formas ósseas cada vez mais sutis. Até chegar ao crânio, que seria a última metamorfose da idéia vértebra", explica o farmacêutico-bioquímico Flávio Ernesto Milanese, especializado pelo instituto Goetheanum, de Dornach, Suíça.

Olhar atento
Apesar da afinidade com o pensamento platônico, Goethe não chegou à sua visão de mundo por meio da especulação filosófica, e sim através da observação atenta e sem preconceitos da natureza. Mais do que em outros campos, foi na botânica que sua abordagem alcançou as melhores realizações. Ele as expressou no texto A Metamorfose das Plantas, publicado em 1790, o ano da primeira edição do Fausto.

A idéia começara a germinar em sua mente uma década e meia antes. Pois foi por volta de 1776 que ele travou contato com a classificação dos vegetais realizada pelo naturalista sueco Carl von Linée, o célebre Lineu (1707-1778). Esta se baseava exclusivamente nas características exteriores, que diferenciam uma planta de outra, e não em qualquer princípio interno unificador. Goethe não podia concordar com isso. Ele intuía a existência de "algo" que fazia uma planta ser uma planta e estava presente em todas as plantas individuais.

Para captar esse "algo", era preciso observar a mesma planta sob as mais variadas condições e influências. Sua famosa viagem à Itália, iniciada no dia 3 de setembro de 1786, permitiu-lhe estudar a flora dos Alpes e verificar as numerosas transformações provocadas pelos fatores geográficos em cada ente vegetal. Ele observou como suas formas se modificavam à medida que subia a montanha. E, em Veneza, perto do mar, constatou como seus aspectos eram alterados pelo solo e clima. Ficou claro que a essência da planta não podia ser encontrada em suas características externas, sempre mutáveis, porém num nível mais profundo de realidade.

Seus sentidos estavam aguçadíssimos e sua inteligência parecia ter alcançado a potência máxima. No jardim botânico de Pádua, irrompeu finalmente em sua consciência o pensamento de que todas as formas vegetais poderiam ser desenvolvidas a partir de uma forma só. Era a grande idéia da urpflanze, a planta primordial.

A planta primordial
con_goethe3.gifA urpflanze, a planta arquetípica, é uma entidade espiritual, que, como tal, não pode ser encontrada em nenhum lugar do mundo físico. Ela se manifesta parcialmente, porém, em cada planta que existe na natureza. Para Goethe, ela seria constituída exclusivamente por folhas. Pois ele concebia toda a planta como uma folha em transformação. "Ele chegou a esse pensamento a partir do estudo dos vegetais superiores, porque, quanto mais evoluída a planta, mais completamente ela manifestaria o seu princípio arquetípico", afirma Hendrik Ens.

Investigando as sementes das dicotiledôneas, Goethe percebeu que, nelas, as folhas já estão presentes em potencial. É o caso das sementes do feijão, que, ao brotarem, projetam duas folhas. A partir daí, cada folha nova que nasce apresenta uma forma ligeiramente diferente da anterior. É a metamorfose do princípio arquetípico, que, na seqüência, dará origem às flores, órgãos reprodutores e todas as demais partes da planta.

Forças internas
Trata-se de uma realidade espiritual, arquetípica. "Ela não pode ser alcançada pelos sentidos, nem sequer pela imaginação, mas apenas pelo pensamento abstrato", explica o geólogo Hendrik Ens, professor da Escola Rudolf Steiner, de São Paulo.

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Goethe foi também desenhista. Aqui, o registro de uma erupção do Vesúvio

Essa idéia universal pode sofrer um sem-número de transformações, dando origem à extrema variedade de entes vegetais. Mas todas essas metamorfoses decorrem das leis formativas presentes na planta pri- mordial. Não são as influências exteriores que transformam esse arquétipo. Elas apenas fazem com que suas forças plasmadoras internas se manifestem de um modo peculiar. São essas forças – e somente elas – o princípio constitutivo da planta.

Ao conceber a urpflanze – escreveu Rudolf Steiner -, Goethe reproduziu mentalmente o trabalho que a natureza realiza ao formar seus seres. Era preciso ser tão cientista quanto poeta para executar tal façanha.

Anote
Para ler

Viagem à Itália, J. W. Goethe, Ed. Companhia das Letras A Metamorfose das Plantas, J. W. Goethe, Ed. Antroposófica A Obra Científica de Goethe, Rudolf Steiner, Ed. Antroposófica Naturwissenschaftliche Schriften, J. W. Goethe, Rudolf Steiner Verlag
Foto, Goethe, Stiftung Weimarer Klassik/Goethe-Nationalmuseum/Autorização Companhia das Letras;Aquarelas, Stiftung Weimarer Klassik/Goethe-Nationalmuseum/Autorização Companhia das Letras

18/11/2009

Meditação faz bem ao coração

http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/arch2009-11-15_2009-11-21.html#2009_11-17_09_54_31-129493890-28

por MARCELO LEITE

Ex-praticante de ioga, coisa que fiz por uns dois ou três anos (insuficientes para decorar os nomes dos chacras e todo aquele blablablá), andava precisado de uma boa desculpa para voltar. Agora já tenho: a meditação, sempre presente nas aulas que fazia, parece capaz de cortar pela metade o risco de ataques do coração.

Você poderá suspeitar dos resultados, que li numa notícia do boletimScienceNow, porque foram obtidos por Robert Schneider, da Universidade Maharishi de Administração, em Fairfield, Iowa (EUA). Mas Schneider teve a colaboração de Theodore Kotchen, da Escola Médica de Wisconsin, em Milwaukee. E o trabalho foi aceito para apresentação (ontem) no congresso da Associação Americana de Cardiologia em Orlando, Flórida.

Para o estudo, 201 pacientes pretos e pardos – “afro-americanos”, na nomenclatura dos EUA – com obstruções coronarianas foram divididos em dois grupos. Um recebeu terapias convencionais. O outro praticou 15 a 20 minutos diários de meditação transcendental, técnica desenvolvida pelo guru indiano Maharishi, em média por cinco anos.

O segundo grupo teve 47% menos infartos, derrames e mortes que o primeiro. Medicamentos para reduzir o colesterol, como estatinas, reduzem o risco em 30-40%. Drogas que controlam a pressão arterial conseguem 25-30%, segundo a reportagem de Jue Wang na ScienceNow.

Espero que a ioga, se de fato voltar a praticá-la, melhore também a memória. Já ia postando esta nota quando sobreveio a sensação de já ter escrito sobre isso. Uma googlada – bendita memória artificial – revelou que o pressentimento era correto: há mais de três anos, em 14 de junho de 2006, escrevi a coluna “Meditação ajuda coração doente” para a Folha de S.Paulo. Dizia:

A meditação transcendental faz bem ao coração que sofre. Muita gente não acredita, por duvidar de tudo que venha de Maharishi Mahesh Yogi, ex-guru dos Beatles envolvido no passado em denúncias de sexo com suas fiéis. Mas quem diz, agora, é a sexta revista médica mais influente do mundo, a “Archives of Internal Medicine”.

(…)

A hipótese do grupo de [Cathleen] Merz [pesquisadora do Centro Médico Cedars-Sinai] é que a meditação module a resposta do sistema nervoso ao estresse da vida contemporânea, uma bateria de sinais enviados ao corpo que compõe a chamada ativação neuro-humoral. Ela pode conduzir a uma série de problemas crônicos, como inflamações, que aumentam o risco de uma falha fatal do coração.

“O ensino de MT é altamente padronizado, de modo que o treinamento de mais de 50 participantes nos três anos de estudo foi consistente ao longo do tempo”, explica [ Maura Paul-]Labrador [primeira autora do estudo].

No passado, as alegações de efeitos cientificamente comprováveis da MT deram origem a uma controvérsia acalorada, com acusações de fraude e preconceito. Mas Merz avisa que já está estudando a possibilidade de pedir financiamento para fazer um estudo maior ainda.

18/11/2009

Café faz bem ao coração

http://revistaadega.uol.com.br/Edicoes/0/Artigo156409-1.asp

ADEGA, 16-11-2009

Não é só o vinho que faz bem ao coração. Segundo estudos recentes, o café também pode ser benéfico para o órgão mais importante do sistema.

Isso porque a bebida, em sua fruta madura, apresenta de 6% a 10% de antioxidantes, o que ajuda o organismo a manter os vasos sanguíneos mais saudáveis, impedindo infartos e derrames.

Outro ponto positivo é no consumo de café torrado, que possui uma quantidade grande de sais minerais, vitaminas e aminoácidos, que fazem o organismo funcionar de maneira mais eficiente.

Segundo Bruno Mahler Mioto, pesquisador da Unidade de Pesquisa Café e Coração, do Incor, para que o café não cause danos à saúde é necessário que ele seja ingerido na quantidade ideal de acordo com a idade. Dos 20 aos 60 anos, quatro xícaras de são o suficiente para manter boa saúde.

"As mulheres que consomem café têm 20% menos chance de ter um derrame. Ele tende a ter um papel protetor devido à suas substâncias, e comprovadamente não causa dependência", afirma Mioto.

Mas é importante ressaltar que a bebida não pode ser vista como um remédio, nem uma forma de combater a doença, mas sim como uma maneira de preveni-la e dar mais força e saúde ao corpo.

Confira as últimas notícias sobre o mundo do café…

+ Tomar três xícaras de café por dia reduz em 42% o risco de desenvolver diabetes

15/11/2009

Ensino em liquidação

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,ensino-em-liquidacao,466486,0.htm

O Estado de S. Paulo, 14-11-2009

Para filósofo que instigou Sartre, a mercantilização impede a escolarização nacional: "Eis nossa catástrofe"

por Mônica Manir

Num domingo de Ferroviária x Santos no Estádio Fonte Luminosa, Jean-Paul Sartre chegou de kombi a Araraquara, interior de São Paulo, para incendiar mentes de um time de intelectuais que incluía d. Ruth Cardoso, FHC e Antonio Candido. Acompanhado, a contragosto, por Simone de Beauvoir e Jorge Amado, fora responder in loco à pergunta feita por um jovem professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da cidade. Fausto Castilho, então com 31 anos, havia usado um amigo como correio elegante para questionar Sartre, na passagem dele pelo Recife, sobre os fundamentos de esforço de aproximação entre o existencialismo e o marxismo. Resumindo, queria saber o seguinte, no bilhete escrito em francês: é possível superar a filosofia sem realizá-la?


"Ele disse aos jornais que iria a Araraquara fazer uma conferência sobre a pergunta mais difícil que havia ouvido no Brasil", conta o inquisidor, lembrando o 4 de setembro de 1960, quando a igreja do município, aterrorizada com a chegada de um pensador de esquerda, gritou pregações pelo rádio contra o francês. "A conferência acabou com a minha carreira na USP", brinca Fausto, que ainda percorreria longa trajetória acadêmica pela Unesp e pela Unicamp até se tornar professor emérito da última.
Entusiasta do pensamento educacional dos anos 20, ele participou decisivamente da criação do campus radial da Universidade de Campinas, transformando-se em crítico de faculdades estanques, utilitárias, mercantilistas. Para ele, universidades verdadeiras são pouquíssimas. Eleições para reitor, mera rotina administrativa. A USP Leste, uma excrescência. Quer uma mexida estrutural no eixo educacional brasileiro, que ele explica nesta entrevista e em detalhes no livro O Conceito de Universidade no Projeto da Unicamp. A quem possa interessar, a Ferroviária ganhou de 4 a 0 de Pelé no dia da conferência. Mas, a quem deseja saber se Sartre, afinal, respondeu àquele dilema a 300 km da capital, ele contemporiza: "Aí é que está, minha filha. Isso são outros quinhentos. Eu nunca quis revelar a resposta".

Esta foi a primeira vez na história da USP que as eleições para reitor se realizaram fora da Cidade Universitária. A transferência, em razão dos protestos dos alunos, funcionários e moradores de favelas, é uma vergonha para a universidade, como afirmaram alguns professores?

Não acho que seja uma vergonha. Mostra descontrole da situação. A reitoria não consegue estabelecer normas de funcionamento para a universidade. É o que se verifica.

As críticas mais contundentes nos protestos foram quanto ao segundo turno, que é decidido por um colégio restrito de professores. Isso faz dessas eleições um processo antidemocrático?

Há um ponto que legitima todo esse processo: a escolha do governador, que entra no último momento, na lista tríplice, mas que afinal de contas foi eleito por maioria pela totalidade do eleitorado paulista. Exigir uma democracia interna é impossível aqui porque a carreira universitária prevalece sobre qualquer outro aspecto. O mestre depende do doutor, o doutor do livre-docente, e assim por diante. É o fundamento da produção científica. Essa carreira depende mais da titulação por trabalho acadêmico do que por tempo de serviço, por exemplo. A democracia que os sindicatos e mesmo uma parte dos alunos pedem não existe em universidade nenhuma no mundo.

Avaliando mais detidamente as propostas dos que se candidataram a reitor…
Eu não vejo muita diferença entre elas.

Pois então, foi praticamente consensual que a USP do século 21 tivesse espírito mais formativo, com estímulo à atitude empreendedora em relação à própria educação.

Muito bem, eu acho que isso é correto desde que você passe a considerar, como indicaram os educadores dos anos 20, toda a escala da escolarização a partir da criança de 4 anos até a pós-graduação. Tem de reconsiderar a totalidade do eixo educacional. Enquanto isso não for feito, não haverá mudança nenhuma na educação brasileira. Todas essas medidas sugeridas hoje são paliativas. A própria substituição de reitores é meramente uma rotina de gestão administrativa. Trocar aqui, eleger ali, isso não leva a nada. É preciso que o Estado retome o controle nos termos que os educadores dos anos 20 propunham.

Por que remontar aos anos 20?
Porque eles detêm a chave interpretativa da universidade brasileira. A interpretação marxista, que peguei na minha juventude, tendia a estudar a USP a partir da Revolução de 32, como se fosse uma reação dos paulistas à derrota na revolução. Não tem nada disso. Mostro no meu livro que a concepção da ideia de USP é de 1925. Mais ainda: que a consolidação ocorreu em 1926.

O que foi essa chave interpretativa?
Os educadores dessa época, entre eles Fernando de Azevedo, tinham uma proposta de escolarização que desapareceu porque em 1965 a ditadura resolveu mercantilizar o aparelho de educação. Aí começa a catástrofe brasileira. A mercantilização não permite a escolarização nacional. Para esses educadores dos anos 20, a instância da democratização não é a universidade, mas o lycée francês, o gymnasium alemão; é isso que estava a caminho de ser instalado no Brasil, isto é, o liceu público para a toda a população jovem e não para um segmento, como faz a mercantilização. Você não pode firmar o processo de universalização formadora da educação formativa na universidade. Assim você a transforma numa instituição de ensino apenas. E ela não pode ser uma instituição de ensino.

O que ela precisa ser?
Precisa ser uma instituição de estudo, porque o ensino é consequente à pesquisa, ele não vem antes do estudo. Ao contrário. Só quem estuda é capaz de ensinar, ao passo que no Brasil, por interesse comercial, você enfatiza o ensino. O ensinismo inverte a equação, deixando a situação cada vez pior, cada vez pior… O cara que vai ser professor não precisa estudar, não precisa produzir. Ele simplesmente se apoia num manual qualquer. É o gráfico que se estabeleceu em cima da hora-aula. É isso que chamam de curso.

Como funcionaria o liceu no Brasil?
Como funciona na França e na Alemanha, o que nos anos 20 se chamava de universidade ampla. Ele acompanharia toda a população porque não faz diferença de classe. Na França e na Alemanha, tanto o filho do operário quanto o filho do magnata vão para o liceu. Quem é o proprietário desse liceu? É o Estado. Não existe o particular nesse jogo. Eis o foco dos educadores dos anos 20, que ainda não eram mercantilistas. Lembro que participei da campanha em defesa da escola pública já no final dos anos 50 sob a liderança de Júlio de Mesquita Filho. Perguntei a ele como explicava sua posição antagônica em relação à do seu amigo Carlos Lacerda, autor da proposta privatista de Lei de Diretrizes e Bases. Ele me respondeu o seguinte: educar é tarefa do Estado.

O que constaria do currículo do liceu?
Na França, há dois currículos: um chamado tradicional e outro chamado profissional. Dos 4.339 liceus, 2.449 são tradicionais e 1.890 profissionais. Por paradoxal que seja, a população prefere o tradicional, que tem grego, história, arte, literatura. É por isso que nesses países há um eleitorado diferenciado. Ele tem muita capacidade de decisão. Os operários também preferem o currículo tradicional. A inteligência não escolhe classe de renda.

Quanto ao que aconteceu na Uniban…
Isso é fait divers, não tem importância.

Mas faço uma pergunta, professor: quando a Uniban revogou a expulsão da aluna, o reitor disse que a medida havia deixado de ser disciplinar para se transformar numa ação educativa. A expressão ?educativa? teria a capacidade de redimir arbitrariedades?

Olha, começo não reconhecendo pelo mero proprietário de uma firma comercial a apropriação do título de reitor. Não há esse direito na legislação brasileira de um dono de escola se intitular reitor. Onde é que já se viu uma coisa dessas? Ele faz isso e outros donos de cursos também. Tudo é culpa dos políticos. Os políticos que toleram tudo isso são os culpados por essa mercantilização geral do aparelho educacional.

O que o senhor acha das exigências da Nova Lei de Estágios, que demandam mudanças importantes nos cursos de graduação, licenciatura e bacharelado que preveem esse dado nos currículos?
O governo federal é responsável atualmente pela maior parcela do financiamento do mercantilismo, por meio das bolsas de estudo. Essas bolsas são um expediente para financiar os mercantilistas. Elas é que dão dinheiro para sustentar essas universidades particulares, que não são universidades. Aliás, as universidades federais também não são universidades. São arranjos das oligarquias locais em cada um dos Estados brasileiros.

A Universidade Federal de São Paulo, inclusive?
Isso é uma invenção surgida a partir de uma faculdade de medicina. Imagine você se pode uma escola de medicina ser uma universidade! Só mesmo por interesse eleitoreiro. Essa transformação do núcleo inicial, que é de pura medicina, em universidade, eu ainda estou aguardando, estou observando para ver se é possível.

E a USP Leste?
Ela é uma excrescência.

Por quê?
Para que isolar do centro maior? O centro maior da USP é no Butantã. Deveriam ter reforçado o centro. Se você tem um, é para que a função central seja exercida, e não para que fique simplesmente numa declaração. Você nunca vai poder fazer interdisciplinaridade, nunca! A universidade tem de estar em um único campus porque ela depende da enciclopédia do ponto de vista interdisciplinar. Eis é o ponto chave. A vocação da universidade é ser uma comunidade de trabalho interdisciplinar na pesquisa e no conhecimento. No Brasil, a tendência é multiplicar os campi. Acham que isso é grandeza.

Qual era a vocação primeira da USP?
Sempre foi o estudo, a pesquisa. A USP é a primeira universidade brasileira concebida segundo o modelo proposto por Humboldt ao criar a Universidade de Berlim, que durante o século 19 se difundiu pelo mundo inteiro, nos EUA, no Japão… O problema é que o plano uspiano não pôde ser realizado. A posição política da história da USP e do Brasil de integrar à Universidade de São Paulo escolas preexistentes, como a Faculdade de Direito e a de Medicina, acabou com o plano.

Por quê?
Porque o plano da USP foi pensado, pela primeira vez no Brasil, como uma estrutura universitária focada num centro, que é a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Essa concepção vai depois servir de referência à Universidade de Brasília e à Universidade de Campinas. A comissão nomeada pelo governador não conseguiu mostrar qual seria a articulação entre o centro e as universidades dependentes. Essa foi a primeira grande falha teórica.

Qual foi a segunda?
A demora na construção da Cidade Universitária. O plano previa que ela fosse erguida nos anos 30, o que só aconteceu no final dos anos 50. Isso destruiu a USP porque, em vez de passarem a tarefa ao urbanismo ? a disciplina que deveria prenunciar a Cidade Universitária dentro do campus ? entregaram o projeto a engenheiros e arquitetos ligados à edificação de obras. Virou isso: reconstrução de obras, com departamentos que chegam a um quilômetro de distância entre si. Como essa turma pode ter ideia do que seja uma universidade? São estranhos a isso.

A Unb seguiu o modelo centrado à risca?
Ela optou por dotar todos os institutos num mesmo prédio. Ora, não pode. É preciso ter área para se expandir. Tem que ser como na Unicamp. Do contrário não pode crescer.

A Unicamp, então, conseguiu levar adiante o sistema radial?
Na Unicamp, fizemos tudo para o que o contato com as disciplinas básicas fosse feito a pé. Você não precisa motorizar. Ali, o campus não se confunde com a cidade universitária. O campus é a enciclopédia espacialmente estruturada, enquanto a cidade universitária abrange, por exemplo, os organismos administrativos e financeiros. Agora, se a Unicamp terá sucesso nessa empreitada, não sei dizer. Vai depender da força do sistema brasileiro de ensino superior, que é antiuniversidade. O sistema brasileiro de ensino superior foi implantado por D. João VI para desfazer as realizações do Marquês de Pombal. É um processo que persiste desde o século 19 e se infiltra em todas as universidades: são os advogados, os engenheiros, os médicos, profissionais de mercado que nada têm nada a ver com a universidade. Eles querem um papel que tenha o nome da universidade sem nunca terem frequentado a própria. Foram apenas à faculdade deles. A universidade verdadeira se distingue pelo homem de ciência, alguém que seja capaz de ensinar.

15/11/2009

Heidegger sob novo ataque

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27552

IHU 15-11-2009

Por décadas, o filósofo alemão Martin Heidegger foi tema de debates acalorados. Sua crítica do pensamento e da tecnologia ocidentais penetrou profundamente na arquitetura, na psicologia e na teoria literária e inspirou alguns dos mais importantes movimentos intelectuais do século XX. Mas Heidegger foi também um nazista fanático. A reportagem é de Patricia Cohen, do jornal New York Times, e publicada pelo jornalO Estado de S. Paulo, 15-11-2009.

Agora, um livro a ser lançado brevemente em inglês, retoma o debate quanto a se o homem pode ser separado da sua filosofia. Baseado em novas evidências, o autor,Emmanuel Faye, afirma que as ideias racistas e fascistas estão tão entremeadas nas teorias de Heidegger que não merecem mais ser chamadas de filosofia. Assim, as obras e as muitas áreas criadas a partir dessas teorias têm que ser reexaminadas, diz o autor, de modo a não disseminarem ideias sinistras e perigosas para o pensamento moderno quanto foi sinistro e perigoso o "movimento nazista para os povos exterminados".

Publicado pela primeira vez na França em 2005, o livro, Heidegger: Introdução do Nazismo na Filosofia, exorta professores de filosofia a tratarem a obra de Heideggercomo discurso odioso. E também as livrarias deveriam abandonar a classificação dos trabalhos do filósofo (que foram saneados e condensados pela família) como filosofia para incluí-los dentro da história do nazismo. Essas medidas funcionariam como sinal de advertência, do mesmo modo que a caveira na etiqueta de uma garrafa de veneno, para impedir a difusão descuidada das suas mais odiosas ideias, que Faye cataloga como a exaltação do Estado em relação ao indivíduo, a impossibilidade da moralidade, o anti-humanismo e a pureza racial.

O livro é o mais violento ataque feito até hoje a Heidegger (1889-1976) e invalidaria o tratamento pela área filosófica da sua obra nos EUA, e ainda mais na França, onde sua leitura é exigida em graus de estudo mais avançados. Faye, professor da Universidade de Paris, em Nanterre, não só deseja tirar Heidegger da classe dos filósofos, como desafia seus colegas a repensar o real objetivo da filosofia e sua relação com a ética. Ao mesmo tempo, estudiosos de disciplinas tão distintas da filosofia, como a poesia e a psicanálise, se obrigariam a reconsiderar o uso das ideias de Heidegger. Embora Fayese refira à estreita correlação entre Heidegger e a atual política de extrema direita, os intelectuais da esquerda quase sempre foram inspirados pelas ideias dele. O existencialismo e o pós-modernismo, como também os ataques concomitantes ao colonialismo, bombas atômicas, ruína ecológica e noções universais de moralidade, tudo isso está baseado na sua crítica da razão e da tradição culturais ocidentais.

Richard Wolin, autor de diversos livros sobre Heidegger e leitor atento do livro deFaye, diz não estar convencido de que o pensamento do filósofo alemão esteja inteiramente contaminado pelo nazismo, como afirma Faye. Mas reconhece quão longe as ideias de Heidegger se espalharam para a cultura mais geral. "Não estou, absolutamente, subestimando qualquer dessas áreas por causa da influência deHeidegger", ele escreveu num e-mail, referindo-se à influência do pós-modernismo sobre o mundo acadêmico. "Estou simplesmente afirmando que devemos saber mais a respeito dos resíduos e conotações ideológicas de um pensador como Heidegger antes de aceitarmos seu discurso pronto ingenuamente."

Apesar de o texto em inglês editado pela editora da Universidade Yale só estar à venda nos EUA dentro de algumas semanas, ele já está chamando atenção, como foi assinalado por um ensaio na The Chronicle Review, revista de ideias e opinião do The Chronicle of Higher Education. No texto, intitulado Heil Heidegger! , o crítico Carlin Romanoqualifica Heidegger como um "falastrão da Floresta Negra" e uma fraude que foi "supervalorizado no seu apogeu" e "bizarramente venerado pelos acólitos ainda hoje". Poucas pessoas leram o livro, mas o artigo gerou mais de 150 comentários online de defensores e detratores ferozes, mais do que qualquer outro trabalho publicado pela The Review este ano, segundo a editora Liz McMille.

Outros entraram na briga. Ron Rosenbaum, autor de Explaining Hitler (Explicando Hitler), chega até a estender o argumento à filósofa judia alemã Hannah Arendt, ex-aluna e amante de Heidegger. Citando ensaio recente do historiador Bernard Wasserstein, Rosenbaum escreveu no website Slate.com. que a ideia de Hannahsobre o Holocausto e a sua famosa formulação da "banalidade do mal" foi corrompida porHeidegger e por outros escritores antissemitas. Comentaristas rejeitam veementemente a noção de que ideias importantes não podem ser extraídas de ideias infames. Escrevendo para o website do The New Republic, o tnr.com, Damon Linker declarou ser "absurdo implicar toda a bibliografia filosófica de Heidegger". Ele e outros repercutiram a opinião do importante filósofo americano Richard Rorty, que, num artigo no The New York Times, escreveu: "Você não pode ler a maioria dos grandes filósofos mais recentes sem levar o pensamento de Heidegger em conta." Rorty acrescentou, contudo, que "o cheiro da fumaça dos crematórios sobreviverá nas suas páginas".

Aos olhos de Faye, a filosofia de Heidegger não pode ser separada da sua política da maneira, digamos, que a verve poética de T.S. Elliot ou a técnica cinematográfica deD.W. Griffith podem ser apreciadas independentemente das suas próprias crenças. Embora não discuta o lugar de Heidegger no panteão intelectual, Faye revisa suas conferências não publicadas e conclui que a filosofia de Heidegger baseava-se nas mesmas ideias do Nacional Socialismo. Sem compreenderem o solo em que a filosofia heideggeriana tem raízes, afirmou, as pessoas não podem entender que suas ideias possam avançar em direções preocupantes. O ditame de Heidegger para ser autêntico e livre das limitações convencionais, por exemplo, pode levar a uma rejeição da moralidade. A denúncia da razão e do modernismo sem alma pode levar a um anti-intelectualismo grosseiro.

Heidegger juntou-se ao partido nazista em 1933, ao se tornar reitor da Universidade de Freiburg e supervisionou a demissão de professores judeus. Após a guerra, foi proibido de lecionar por um tribunal. Nos anos 50, Hannah Arendt reatou o relacionamento com ele e se empenhou para refazer sua reputação. Heidegger foi um grande crítico da sociedade tecnológica moderna e da tradição filosófica ocidental que propiciou a ascensão dessa sociedade. Segundo ele, nós temos que vencer essa tradição e repensar a real natureza da existência ou do ser humano. Sua prosa é tão densa que, para alguns estudiosos, ela pode ser interpretada para significar qualquer coisa, enquanto outros a rechaçam completamente como sandices. No entanto, ele é considerado um dos maiores e mais influentes pensadores do século.

Teólogos usaram sua crítica da razão para explicar o ato de fé; arquitetos foram inspirados pela sua rejeição das regras convencionais para introduzir uma série de novos estilos, materiais e formas nos projetos de construção. Sua crítica da tecnologia mecanicista atraiu ambientalistas e urbanistas. Mas uma disputa verbal sobre as teorias de Heidegger não deve causar surpresa. Afinal, a posição americana clássica sobre como as sociedades liberais devem tratar ideias perigosas vale a pena ser discutida também. E é isso que Faye diz pretender. Na sua opinião, ensinar as ideias deHeidegger sem revelar suas profundas simpatias pelo nazismo é como levar uma criança a um espetáculo de fogos de artifício sem alertá-la de que um rojão também pode explodir no rosto de alguém.

Para ler mais:

11/11/2009

Ciência contra Natureza

http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/bbc/2009/11/11/terra-absorve-mais-gas-carbonico-do-que-se-pensava-diz-estudo.jhtm

11/11/2009 – 13h52
Terra absorve mais gás carbônico do que se pensava, diz estudo

Da BBC Brasil

Um estudo realizado no Reino Unido sugere que os ecossistemas e oceanos da Terra têm uma capacidade muito maior de absorver gás carbônico do que se imaginava anteriormente.


A pesquisa da Universidade de Bristol mostra que o equilíbrio entre a quantidade do gás em suspensão na atmosfera e a que é absorvida se manteve praticamente constante desde 1850, apesar de as emissões terem saltado de 2 bilhões de toneladas anuais naquela época para 35 bilhões de toneladas anuais hoje em dia.

O resultado do estudo, publicado no site especializado Geophysical Research Letters, confronta com várias pesquisas recentes, que previam que a capacidade de absorção pelos ecossistemas e oceanos cairia conforme as emissões aumentassem, fazendo disparar o nível de gases causadores do efeito estufa na atmosfera.

Mas segundo o principal autor do estudo, Wolfgang Knorr, seu ponto forte é que ele se baseia apenas em dados de medidas e estatísticas, e não em modelos de clima computadorizados.

Copenhague

Os pesquisadores de Bristol descobriram que o aumento dos gases em suspensão na atmosfera tem sido um valor entre 0,7% e 1,4% a cada década, desde 1850, o que, para os cientistas é muito perto de zero.

Para os cientistas, o trabalho é extremamente importante no debate de políticas para o controle das mudanças climáticas, já que as metas de emissão que devem ser negociadas em Copenhague, em dezembro, se baseiam em projeções que já levam em conta a capacidade de absorção da Terra.

Mas Knorr alerta que não necessariamente o estudo vai afetar as decisões dos líderes mundiais.
"Como todos os estudos deste tipo, há algumas imprecisões nos dados", admitiu. "Portanto, em vez de confiar na natureza para oferecer um serviço gratuito, absorvendo nosso gás carbônico, precisamos nos certificar dos motivos pelos quais a parcela absorvida não mudou."

O estudo também descobriu que as emissões vindas do desmatamento podem ter sido superestimadas em valores entre 18% e 75%.

11/11/2009

Natureza e Liberdade

por TOBIAS BARRETO

Já uma vez declarei, e não há muito tempo, que não estava longe de crer serem as leis da liberdade as mesmas leis da natureza; e permaneço nessa opinião. Mas importa não confundir coisas distintas. Dizer que a liberdade tem leis, não é negá-la, e bem assim afirmar que essas leis são as mesmas da natureza não é reduzir o processo da vida moral à pura mecânica dos átomos, a ações e reações químicas. Entretanto, em que consiste, o que quer o determinismo? Negar a liberdade sob o pretexto de que as ações humanas são todas motivadas. A lei da motivação, diz ele, é uma das formas da lei geral da causalidade. Os motivos são causas mecânicas a que sucedem efeitos com a mesma necessidade com que os fenômenos se sucedem no mundo exterior. E não é exato que a todo e qualquer esforço consciente, a toda volição e ação precedem certos motivos? Ou há um esforço imotivado, puramente espontâneo, que existe de si mesmo e por si mesmo? Muitos defensores da liberdade ainda crêem que a lei da motivação exclui o livre querer, isto é, que a liberdade da vontade só é possível quando esta não é determinada por motivo algum.
Uma tal opinião só podia ser favorável à causa do determinismo. Desde que se faz assim do acaso e do capricho irracional a essência da liberdade, desde que o verdadeiro ato livre se considera aquele que se pratica sem motivo, sem razão alguma, não é muito que os deterministas achem provas de sua teoria em todos os círculos da atividade humana, onde se nota uma certa ordem. Uma vez associada à idéia de liberdade e de confusão e desarmonia, é fácil demonstrar, pela estatística dos crimes, dos casamentos e outros fatos, onde os números exercem uma função aproximadamente igual, que a vontade não é livre. Mas este modo de pensar, admitido por alguns filósofos, é o mesmo velho ponto de vista dos espíritos incultos que, ainda hoje, nas relações políticas, não cansam de falar de um “partido da ordem” e de um “partido da liberdade”, como de antíteses dificilmente conciliáveis, quando não afirmam que a verdadeira ordem está na liberdade. Em suma, como se vê, uma série, de tolices. Destarte, obscurecida a idéia da coisa, fazendo-se do caos e da desordem na vida individual e social o característico da liberdade, os deterministas, por um lado, descobrem o fatalismo e necessidade, onde quer que apareça um regular
encadeamento dos atos humanos, e os parvos, por outro lado, estão de acordo que a mais alta expressão do liberalismo é o domínio do cacete, do barulho, do rebuliço eterno. Assim, e de conformidade, por exemplo, com os princípios da sociologia nacional brasileira, como ela é cultivada por vadios e vagabundos, é um despotismo clamoroso quando a autoridade, invadindo a terra santa da liberdade, quebra a viola do ocioso cantor popular e põe um limite aos excessos da bebedeira. Da mesma forma, os deterministas entendem que o governo da natureza, em relação ao homem, é sempre despótico, e que não há vontade livre, desde que os atos só se realizam em virtude de motivos.
Singular doutrina esta, pela qual as manifestações da liberdade entrariam de direito na categoria da loucura! Com efeito, se o pressuposto da motivação exclui o livre querer, é lógico admitir que se são possíveis atos humanos imotivados, onde quer e como quer que eles se executem, aí, pelo menos, aparece a liberdade. Mas esses atos são justamente aqueles que os psiquiatras designam como
característicos de qualquer perturbação mental. Para Trousseau, por exemplo, quase sempre que se dá um assassinato sem motivo, sem alvo de interesse, sem premeditação, sem ponderação do tempo, lugar e meios, trata-se do ato de um epiléptico. Eis aí, pois, a falta de motivação entrando como elemento na diagnose de uma caso de insensatez. E se aquele quase sempre, em vez de sempre é para dar conta das exceções, não vejo que os casos excetos possam ser explicados, senão por uma reversão atavística às épocas de pura ferocidade humana. Porém, entre um homem de hoje, que perde a razão, e um homem de hoje, que de repente se asselvaja e se torna uma fera – qual é a diferença? Como quer que seja, o certo é que a livre vontade não é incompatível com a existência de motivos; pelo contrário, eles são indispensáveis ao exercício normal da liberdade. Com efeito, se a liberdade é alguma coisa, ela consiste na capacidade que tem o homem de realizar um plano por ele mesmo traçado, ao atingir um alvo que ele mesmo se propõe. [Tobias Barreto, "Questões Vigentes".]

11/11/2009

A abertura do coração

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27418

IHU 11-11-2009

Meditação Cristã

A cultura ocidental presta atenção às condições físicas e mentais das pessoas, mas esquece do espiritual, afirma o monge beneditino Laurence Freeman, guia espiritual da Comunidade Mundial de Meditação Cristã e incentivador do diálogo inter-religioso com diferentes tradições religiosas. A notícia é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação – ALC, 10-11-2009.

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) receberá, no dia 12 de novembro, Freeman, que ministrará seminário “O caminho do não-conhecimento – espiritualidade e contemporaneidade”, sobre meditação cristã.

A meditação, explica o monge, “é a abertura do coração”. A tradição cristã sempre entendeu que a meditação, movendo-se da mente para o coração através do silêncio, é o trabalho do amor. “O fruto essencial da meditação e o que desenvolve completamente nossa humanidade é o fato de que nos tornamos pessoas mais amorosas”, assinala.

Freeman lembra que Jesus era um mestre da contemplação e recomendava que as pessoas deixassem suas preocupações e ansiedades de lado, vivendo o momento presente. “Esta é a fórmula da contemplação”, aponta.

A fórmula para a ação, acrescenta, é amar o próximo e ir ao encontro de todos os necessitados, cultivando a paixão pela justiça e trabalhando pela paz.

A meditação, frisa, não é uma oração mental, mas a oração do coração, da pessoa como um todo. Adverte, contudo, que “exuberância de personalidade, emoções expressivas, gosto pela música e pela dança não são opostas ao silêncio e à quietude”.

O monge beneditino propugna uma “nova santidade”, que tenha como base a bondade essencial da natureza humana, mas que se expanda para uma consciência universal. Ele parte da tradição contemplativa cristã e mostra que o conhecimento de Deus não é uma noção abstrata, mas uma verdade experimental que as pessoas descobrem ao explorarem a plenitude da oração. “Se podemos entender, não é Deus”, dizia Santo Agostinho.

A participação no seminário da PUC-Rio é gratuita.

08/11/2009

Blogosfera Filosófica

08/11/2009

12. Encontro Internacional Sobre Pragmatismo

07/11/2009

Comunidades de Estudo

04/11/2009

Gravidade e Graça

SimoneWeil4Simone Weil (3-2-1909 — 24-8-1943)

A álgebra e o dinheiro são essencialmente niveladores; o primeiro intelectualmente, o segundo efectivamente.

A beleza é a harmonia entre o acaso e o bem.

Quanto mais o nível da técnica aumenta, mais as vantagens que os novos progressos podem trazer diminuem em relação aos inconvenientes.

O bem é aquilo que dá maior realidade aos seres e às coisas; o mal é aquilo que disso os priva.

Pensa-se hoje na revolução, não como maneira de se solucionarem problemas postos pela actualidade, mas como um milagre que nos dispensa de resolver problemas.

Deus só pode estar presente na criação sob a forma de ausência.

A pureza é a capacidade de contemplar a mácula.

Dinheiro, maquinaria, álgebra: os três monstros da atual civilização.

O inferno é darmo-nos conta de que não existimos e não nos conformamos com isso.

A religião como fonte de consolação é um obstáculo à verdadeira fé; nesse sentido, o ateísmo é uma purificação.

Nada no mundo pode impedir o homem de se sentir nascido para a liberdade. Jamais, aconteça o que acontecer, ele pode aceitar a servidão: pois ele pensa.

A alegria é a nossa evasão do tempo.

Magoar alguém é transferir para outrém a degradação que temos em nós.

De entre os seres humanos, apenas conhecemos completamente a existência daqueles a quem amamos.

A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se (é uma virtude).

O bem é aquilo que dá maior realidade aos seres e às coisas; o mal é aquilo que disso os priva.

É necessário realizar o possível para tocar o impossível.

Criar raízes quiçá seja a necessidade mais importante da alma humana. É uma das mais difíceis de se definir.

A violência às vezes é necessária, mas a meus olhos não há grandeza senão na doçura.

04/11/2009

Filosofia na Folha


A FILOSOFIA NAS PÁGINAS DA FOLHA DE S.PAULO

Os textos estão organizados seguindo a ordem cronológica da data de nascimento de seus respectivos autores
Jeremias e os Falsos Profetas
Sócrates e a Calúnia
Fédon e a Palavra
Epicuro e o Mundo Físico
Platão e o Político
Platão e a Educação
Aristóteles e a Cidade
Aristóteles e as Variações
Diógenes e o Consumo
Tucídides e a Constituição
Sêneca e os Perseguidos
Boécio e a Felicidade
Teofrasto e os Princípios
Teócrito e o Pensamento
Sexto Empírico e o Ceticismo
Tertuliano e as Torturas
S. Agostinho e as Duas Cidades
Sólon e as Leis Ilícitas
Maimônides e o Consumo
São Boaventura e as Luzes
São Tomás de Aquino e a Sabedoria
Abenjaldun e a Lei
Nicolau de Cusa e a Ignorância
Erasmo e a Loucura
Maquiavel e as Alianças
Maquiavel e os Meios
Maquiavel e o Direito de Defesa
Morus e a Utopia I
Morus e a Utopia II
Bodin e os Soberanos
Montaigne e o Arrependimento
Bacon e os Ídolos
Descartes e a Razão
Hobbes e a Imaginação
Hobbes e as Instituições
Spinoza e o Estado
Spinoza e a Segurança
Locke e o Poder
Malebranche e o Imanente
Leibnitz e o Conhecimento
Massillon e as Mortes do Homem
Swift e os Costumes
Montesquieu e os Chineses
Voltaire e a Galhofa
Franklin e a Perfeição Moral
Beccaria e os Interrogatórios
Jeremy Bentham e a Utilidade
Hegel e o Patriotismo
Hamilton e a Federação
Rousseau e o Direito da Força
Rousseau e a Educação
Kant e a Moral do Belo
Kant e a Representação
Turgot e o Progresso
Saint-Simon e as Elites
Hegel e a História
Von Clausewitz e a Guerra
Von Clausewitz e a Guerra – 2
Bolívar e o Congresso
Comte e o Positivismo
Michelet e a Liberdade
Condorcet e o Futuro
Adams e as Assembléias
Marshall e o Estado de Direito
Fichte e a Sabedoria
Feijó e o Sábio
Schopenhauer e a Morte
Schopenhauer e a Honra
Schopenhauer e a Filosofia Universitária
Gratry e o Ateísmo
Tocqueville e a República
Burckhardt e o Estado
Spencer Escolhe Governantes
Kierkegaard e o Desespero
Nietzsche e a Inspiração
Nietzsche e os Civilizados
Jaspers e o Mundo
Hello e a Honra
Dilthey e o Conhecimento
Dewey e a Inteligência
Chestov e a Razão
Max Weber e o Capitalismo
Max Weber e a Sucessão
Tobias Barreto e a Liberdade
Russel, os Fins e os Meios
Max Scheller e a Pessoa
Berdiaev e a Servidão
Bergson e o Riso
Santayana e a Verdade
Martin Buber e o Socialismo Utópico
Maritain e a Libertação
Maritain e as Confusões
Maritain e o Direito
Spengler e a Política
Spengler e o Estadista
Ortega e as Massas
Ortega e o Voto
Lawrence e a Mulher
Mannheim e a "Intelligentzia"
Lasky e a Liberdade
Hayek e o Individualismo
Bataille e o Poder
Wittgenstein e a Vontade
Tillich e a Coragem
Gabriel Marcel e a Técnica
Mumford e as Cidades
Landesberg e a Morte
Fromm e a Liberdade
Folliet e a Liberdade
Arendt e as Revoluções
Simone Weil e o Trabalho
Simone Weil, Riscos, Raízes
Elíade e o Tempo de Festa
Camus e o Suicídio
Merton e a Humildade
Kornberg e a Ciência
Gilles Deleuze e o que é a Filosofia
Vicente e o Indivíduo
Foucault e a Perseguição
Palestras
Palestra de Roland Corbisier sobre a filosofia existencial de Heidegger
Palestra de Roland Corbisier sobre a filosofia de Windelband e Rickert
Entrevistas em ordem Cronológica
Mészáros, a Estética e a Política — Entrevista com Istvan Mészáros
Foucault: O Poder é Positivo — Entrevista com Gérard Lebrun
O Filósofo do Contra — Entrevista com José Arthur Giannotti
O Fim da Filosofia — Entrevista com Martin Heidegger
O Mercado não Garante Sozinho Justiça Social — Entrevista com Claude Lefort
‘A Europa está doente’, diz Edgar Morin — Entrevista com Edgar Morin
Um C ético Contra os Delírios da Razão — Entrevista com Oswaldo Porchat Pereira
Claude Lefort Ataca a Crítica Conformista — Entrevista com Claude Lefort
Jogos Cotidianos e Lições Metafísicas — Entrevista com Matthew Lipman e Ann Margaret Sharp
A Filosofia sem Salvação — Entrevista com Richard Rorty
O Risco da Razão — Entrevista com Jacques Rancière
A Utopia Descabelada — Entrevista com Gérard Lebrun
O Intelectual da Discordância — Entrevista com Jacques Derrida
As Idéias do Norte — Entrevista com Bento Prado Jr.
A Lógica da Liberdade — Entrevista com Newton da Costa

03/11/2009

Filosofia Pedagógica

Eine Philosophie ist nicht eher vollendet, bis sie pädagogisch wird [Uma filosofia não está completa antes de tornar-se pedagógica]. J.G. Fichte

03/11/2009

Identidade Essencial

Salvo nos países que subordinaram sua vida espiritual ao imperialismo, no núcleo secreto de cada religião existe de modo latente uma doutrina mística; e, embora difiram umas das outras, as doutrinas místicas não apenas se parecem mas são absolutamente idênticas no que concerne a certo número de pontos essenciais. Simone Weil (OL, 176 [apud: PLANT, St. Simone Weil. Barcelona: Herder, 1997. p. 49])